Publicado em 7/02/2017 as 11:00am

Imigração entre México e EUA pode sofrer novo golpe

´Iniciativa Mérida' deve ser desativada no governo Trump

O clima na fronteira entre Estados Unidos e México pode ser abalado, mais uma vez, por causa das medidas tomadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra os "bad hombres" mexicanos.

Isso porque a "Iniciativa Mérida", assinada em 2008, pode virar história nas mãos do novo mandatário. O programa de segurança das fronteiras mexicanas, que fez com que o fluxo imigratório registrasse queda ano após ano, já canalizou cerca de US$ 1,4 bilhão de Washington para o México.

É o que acredita a maior parte dos funcionários do Gabinete de Segurança mexicano e a ideia foi reforçada após uma conversa telefônica entre Trump e seu homólogo mexicano Enrique Peña Nieto. Naquele momento, o norte-americano afirmou que o Exército do país vizinho "não fazia seu trabalho" para controlar o crime na fronteira.

Trump, segundo informou a imprensa da nação latina, inclusive teria sugerido enviar tropas para o México para combater os criminosos "bad hombres", mesmo que o comentário tenha sido negado pela Casa Branca. Especialistas no tema já haviam antecipado essa situação, como Maureen Meyer, a diretora do programa sobre o México no Escritório para América Latina em Washington.

Meyer destacou que, por causa da postura do republicano, a cooperação em matéria de segurança iria regressar "ao esquema de uma assistência mais militar". A embaixada dos EUA no país informou que dos recursos programados até 2019, estão garantidos ao menos aqueles destinados à gestão de centros penitenciários, em valor que já contabiliza cerca de US$ 30 milhões desde 2009.

Já o especialista em segurança, Alejandro Hope, diz que a Iniciativa Mérida "está morta, ao menos nos termos que existe" no governo Trump. A suspensão da ajuda "poderia ser uma forma simbólica de cobrar o muro do México", acrescentou ainda Hope, explicando que neste tema, "vamos regressar" aos anos 1980 e 1990 do século passado, marcado por "uma era de recriminações e desconfiança mútua".

Funcionários ligados à Segurança do país consideram que cancelar a estratégia de ajuda dos EUA poderia afetar ainda a coordenação com agências de outros países.

"Há operações que se realizam em território mexicano a partir de alertas feitos nos Estados Unidos com ferramentas capacitadas", dizem ainda alguns funcionários sob a condição de anonimato. A possível retirada do apoio norte-americano não pararia a atuação do governo mexicano, mas faria com que Exército e a Polícia Federal trabalhassem com ferramentas menos avançadas em tecnologia. A "Iniciativa Mérida" ajudou a fechar acordos e agendas comuns para combater o crime e garantir a segurança da fronteira e se baseia em um "interesse estratégico" entre as duas nações. A estratégia do plano foi criada pelos então mandatários Felipe Calderón e George W. Bush e inicialmente apontava apenas o combate às drogas e à violência fronteiriça.

Mas, após algum tempo, ela deu suporte a operações com um novo sistema de justiça penal e a modernização da Polícia mexicana. Estima-se que centenas de agentes antidrogas e da chamada Escritório de Imigração e Aduanas (ICE) estejam atuando em toda a fronteira sul do país, com os países da América Central, por causa do programa. Agora, eles terão que deixar seus postos.

Hope, que também é ex-funcionário do Centro de Investigação e Segurança Nacional (Cisen), entre 2008 e 2011, destacou que "há uma animosidade de Trump e de seu eleitorado com todas as formas de assistência ao exterior", mas ressalta que "continuará a existir uma cooperação entre as agências" de ambos os países. 

Fonte: https://www.noticiasaominuto.com.br