Publicado em 9/02/2017 as 8:00am

Senador é confirmado como secretário de Justiça de Trump

Sessions, que é da ala mais conservadora do partido, contudo, se mostra receptivo a barrar pessoas de países "com histórico de terrorismo"

Após um conturbado processo no Senado, o novo secretário de Justiça, Jeff Sessions, foi confirmado nesta quarta (8) e assumirá o cargo em meio à primeira batalha legal do governo Trump, que provavelmente será levada à Suprema Corte americana.

O republicano Sessions, 70, exercia o mandato de senador pelo Alabama desde 1997 e foi procurador federal para o distrito sul daquele Estado nas décadas de 80 e 90.

Na disputa legal em vigor, sua pasta é a responsável por defender a retomada do decreto presidencial vetando a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, que foi suspenso por uma liminar na última sexta-feira (3).

A controversa ordem presidencial foi tema da sabatina de Sessions no Senado na última semana, quando ele negou rumores de que teria participado da redação do decreto.

Também foi por causa do texto que a então secretária de Justiça interina, Sally Yates, foi demitida por Trump - ela declarou que o Departamento não defenderia o veto.

Sessions, que é da ala mais conservadora do partido, contudo, se mostra receptivo a barrar pessoas de países "com histórico de terrorismo". "Vamos fazer uma pausa e começar a analisar de onde estão vindo as ameaças", disse o então senador, em entrevista em junho.

O indicado de Trump ao cargo é conhecido por sua posição linha-dura sobre imigração, se opondo a qualquer concessão de cidadania a imigrantes ilegais e apoiando a construção de um muro na fronteira com o México. Tem posições parecidas com Trump sobre o combate às drogas e o tráfico de armas.

"Acho que ele vai defender agressivamente a proibição a muçulmanos e levar à frente medidas para deportar cidadãos sem documento", disse o diretor da Faculdade de Direito da Universidade da Califórnia, Erwin Chemerinsky.

Para ele, o novo secretário ameaça decisões tomadas no governo Obama na direção da responsabilização de policiais e autoridades por eventuais violações de direitos civis. Em 1986, Sessions teve negada sua nomeação para juiz federal, sob acusação de racismo.

O ex-funcionário do Departamento de Justiça Robert Delahunty, professor de direito na Universidade de St. Thomas, em Minnesota, porém, defende que Sessions vai aplicar as leis de imigração "como elas são, dentro dos recursos disponíveis".

"Uma das principais razões pelas quais Trump foi eleito em novembro foi por sua promessa de aplicar vigorosamente as leis -incluindo as de imigração. Isso foi algo que o governo Obama se negou a fazer", diz Delahunty.

FALA SUSPENSA

A votação da confirmação de Sessions no Congresso virou um campo de batalha na sua reta final no Senado.

Na terça, a democrata Elizabeth Warren lia uma carta escrita em 1986 por Loretta King, viúva de Martin Luther King, com severas críticas a Sessions, quando foi interrompida e teve a fala suspensa pelo líder da maioria republicana na Casa, Mitch McConnell.

O argumento usado por McConnell foi um artigo do regulamento da casa, raramente usado, que veta comentários altamente críticos de um senador a outro.

Ela foi alertada de que deveria suspender a leitura, mas prosseguiu e foi "convidada" a se sentar.

A ação levou a uma reação furiosa dos democratas, e Warren acabou lendo a carta em um vídeo publicado em uma rede social que tinha quase 9 milhões de visualizações na noite de quarta. 

Fonte: Folhapress