Publicado em 21/02/2017 as 9:06pm

Trump vai colocar mais 10 mil agentes de imigração nas ruas

Um documento apresentado nesta terça-feira (02/02) aumenta poderes das agências de imigração e pede a contratação de 10 mil agentes

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (HSI, sigla em inglês) anunciou na terça-feira (20/02) um conjunto de documentos com novas medidas do presidente Donald Trump relacionadas à imigração e segurança nas fronteiras. A ordem presidencial promove uma nova maneira como a agência vai implementar as leis imigratórias no país.

Sob a administração de Obama, os imigrantes indocumentados condenados por crimes graves eram prioridade para a deportação. Agora, os agentes de imigração, oficiais da Alfândega e Patrulha na Fronteira foram orientados a prender e deportar qualquer um que tenha um crime, por menor que seja o delito. Isso inclui pessoas condenadas por fraude perante uma agência governamental (usar Social Security falso é um dos exemplos) ou abusaram de programas para a obtenção de benefícios públicos.

A nova política exige também que as deportações sejam aceleradas, o que permite que a Patrulha de Fronteira e agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) tenha maior rapidez em seus processos de deportação.

Estas alterações na prioridade das agências de imigração exigirá um aumento considerável dos recursos, inclusive a contratação de novos funcionários.  Nos documentos apresentados nesta terça-feira, o HSI foi orientado a abrir a contratação de mais 10 mil agentes de imigração, ampliar a capacidade dos centros de detenção e criar um escritório dentro do ICE para ajudar famílias de vítimas assassinadas por imigrantes indocumentados.

As novas diretrizes também instruíram o HDI, ICE, e a agência de patrulha fronteiriça a começar a revitalizar um programa que recruta policiais locais e funcionários do xerife para ajudar na deportação. O esforço, chamado o programa 287 (g), foi deixado para trás durante a administração de Obama.

O programa enfrenta a resistência de muitos estados e dezenas de cidades chamadas de santuários, que se recusaram a permitir que os seus policiais ajudem a reunir indivíduos indocumentados.

Diretores do HIS disseram aos jornalistas, na terça, que as novas ordens permitem que a agência use suas ferramentas com maior poder de alcance e com uma amplitude que o congresso jamais deu para o departamento a ordem de reprimir a imigração ilegal. Os funcionários, falando sob condição de anonimato durante uma teleconferência, enfatizaram que algumas das propostas apresentadas por Trump é criar regras e logísticas para uma ação mais agressiva.

Em particular, os funcionários disseram que os refugiados da América Central teriam que voltar aos seus países e aguardar audiências e somente depois de discussões com os seus governos, que teriam que concordar, é que eles seriam aceitos novamente no país.

Os funcionários também deixaram claro que nada nas diretrizes muda o programa conhecido como DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals), que fornece autorização de trabalho e protege da deportação jovens trazidos para os EUA quando ainda eram crianças.

Mas eles afirmaram que o departamento vai seguir “agressivamente” a promessa de Trump de que as leis de imigração serão cumpridas ao máximo possível. Essa promessa tem gerado medo e raiva na comunidade de imigrantes e os defensores dos imigrantes advertiram que a nova abordagem é uma ameaça para muitos indocumentados que anteriormente tinham pouco risco de serem deportados.

Fonte: Brazilian Times