Publicado em 6/03/2017 as 4:00pm

Imigrante acusado de genocídio é sentenciado a 15 anos por fraude em naturalização

Imigrante acusado de genocídio é sentenciado a 15 anos por fraude em naturalização

Um homem oriundo da Ruanda, que participou ativamente no genocídio em seu país, foi condenado por fraude em naturalização nos Estados Unidos. Ele recebeu a sentença de 15 anos em uma prisão federal.

A sentença foi anunciada pelo Procurador-Geral dos EUA, Kevin W. Techau, do Distrito de Iowa. As investigações foram conduzidas pelo U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) e Homeland Security Investigations (HSI).

Em Janeiro de 2016, Gervais “Ken” Ngombwa foi condenado por uma acusação de aquisição ilegal ou tentativa de conseguir a cidadania ou naturalização dos EUA, sem ter direito. Ele foi acusado de produzir uma declaração falsa para agentes do Departamento de Segurança Interna.

As provas apresentadas no julgamento mostrou que o imigrante, conscientemente, fez várias declarações falsas para ganhar autorização para entrar no país em 1998. Na época, ele, falsamente, afirmou ser o irmão de Faustin Twagiramungu, um ex-primeiro-ministro de Ruanda, que vive em exílio na Bélgica .

Durante o processo, o governo apresentou o depoimento de várias testemunhas, incluindo agentes especiais HSI. Grande parte do testemunho era relacionado à conduta de Ngombwa em Ruanda na década de 1990 e sobre o genocídio ocorrido em Ruanda em 1994, onde centenas de milhares de pessoas foram mortas.

Evidências mostraram que Ngombwa foi acusado e condenado em dois tribunais em Ruanda país por seu envolvimento em genocídio. Além disso, ele foi citado em uma acusação de 2010, contra Jean Uwinkindi, pelo Tribunal Conjunto Penal das Nações Unidas, como um co-participante de uma “empresa criminosa cujo objetivo comum era a prática de genocídio contra o grupo racial ou étnica tutsi e pessoas identificadas como tutsi ou apoiadores dos tutsis “. Uwinkindi foi condenado a partir da acusação e condenado à prisão perpétua em dezembro de 2015.

As evidências apresentadas na sentença também mostraram que Ngombwa enfrenta atualmente uma acusação na República do Ruanda, que o indiciou por “genocídio” e alega, em parte, que ele “é individualmente responsável por ter, entre 07 de abril de 1994 e julho de 1994, crimes encomendados.

“A acusação alega que Ngombwa levou membros do Interahamwe (milícia armada) à Igreja Católica”, a fim de atacar e matar os tutsis que haviam procurado refúgio ali”.

Além disso, a acusação alega que Ngombwa transportou membros do Interahamwe para o escritório comunitário para matar tutsis que estavam lá. Outras acusações pesam conta o imigrante que é acusado de “extermínio como crime contra a humanidade”.

O Procurador Kevin disse: “Este julgamento mostra violadores de direitos humanos não encontrarão refúgio nos Estados Unidos. Continuaremos a trabalhar com nossos parceiros de aplicação da lei em todo o mundo para identificar, processar e repatriar aqueles que, por meio de fraude, evitaram a administração da justiça em sua terra natal”.

Fonte: Brazilian Times