Publicado em 14/06/2017 as 10:30am

Como evitar deportação e conquistar um futuro seguro nos EUA

Segundo enquete feita pelo BT, informação, respeito às leis e ao próximo é o melhor caminho.

Como evitar deportação e conquistar um futuro seguro nos EUA Carlos da Silva

O que fazer diante da situação política atual nos Estados Unidos. O discurso contra a imigração ilegal do presidente Donald Trump e sua administração tem causado apreensão na comunidade imigrante indocumentada na América. O que esperar para o futuro? Como agir? O Brazilian Times ouviu alguns membros da comunidade brasileira, com situação imigratória estável e legal, qual o conselho eles teriam para os imigrantes brasileiros terem uma vida tranquila e evitarem deportação ou problemas com a lei. Nossa reportagem também questionou se ainda vale a pena trocar o Brasil pelos Estados Unidos? Na edição de hoje publicamos algumas das respostas recebidas e estaremos dando continuidade ao assunto periodicamente.

Carlos AF Da Silva, Auditor Estadual junto a Secretaria do Trabalho do Estado de Massachusetts, Membro do Comitê de Escolas Públicas em Hingham, Oficial de Ação Afirmativas do Partido Democrata em Hingham e Presidente da ONG Assistência Total Brasileira em Quincy (MA).

“Antes tudo, quero desejar a todos os imigrantes muita paz, tolerância, penitência e muita persistência. Somente pensamentos positivos poderá levantar nosso espírito para que continuemos focado em nossas tarefas diárias.

Libertas Quae Será Tamen! Liberdade ainda que tardia! Eu acredito que ainda exista uma luz no fim do túnel e todos também devem acreditar. Não há dúvida que este próximo um dos piores momentos vividos pelos imigrantes indocumentados dentro dos Estados Unidos. É de fato doloroso todos os dias ver famílias sendo separadas por uma deportação injusta de um bom imigrante, iniciada muitas vezes por um ato arbitrário de agentes policiais locais. Uma coisa é ter políticos que pouco fizeram para legalizar os 11 milhões de imigrantes indocumentados nos Estados Unidos. Outra é ter alguém no poder que não perde tempo em buscar formas para deportar e proibir a entrada de imigrantes. Continuo acreditando que a curto prazo se dependermos desde presidente estamos no sal. Porém, quero também continuar acreditando que a longo prazo depois de tentar fazer tanta coisa negativa e não conseguir progresso em sua agenda negativa, este presidente tentará salvar seu legado e poderá vir legalizar imigrantes em troca de votos de seus simpatizantes para seu segundo mandato.

Então o que fazer enquanto está nova lei não sai e as ameaças de deportações continuam? Não faça nada errado. Ande reto e sem mancha. Isto mesmo, não faça nada contra a si mesmo e contra seu próximo que poderá envolver a polícia. Dirigir embriagado ou intoxicado pode te levar a deportação. Brigas em festas e em casa também. Em caso de violência doméstica, deve ser reportado aos órgãos competentes.

Por outro lado, será que vale a pena neste momento trocar o Brasil pelo Estados Unidos? Sabemos que as coisas no Brasil estão péssimas, mas aqui também não está tão bom como já foi. Fica difícil dar está opinião pois cada situação é delicada. Acho que quem puder entrar pela porta da frente para visitar um parente ou amigo e sai do país em seu determinado tempo ainda vale a pena caso contrário não! Ponha sua consciência na balança e faça o que for melhor para você e sua família. Boa sorte! Que Deus nos guie.”

Danilo Brack

Danilo Brack, advogado de imigração, Lowell (MA)

"O momento que vive o Brasil certamente aumenta o incentivo pra mudança pra um país econômica e politicamente mais estável, como os Estados Unidos. Entretanto, em relação à essa mudança somente aconselhamos que seja feita legalmente, com vistos e autorizações apropriadas pra entrada e permanência para o fim específico da intenção de sua entrada. Por motivos óbvios, desaconselho qualquer pessoa encarar os riscos tremendos de viajar pelo México e entrar ilegalmente nos EUA – a viagem é extremamente perigosa e entrada ilegal nos EUA pode resultar em prisão.

A política do Presidente Trump referente à entrada legal no país apresenta vários pontos favoráveis: os últimos números de crescimento econômico, especialmente empregatícios, tem resultado em grandes expectativas melhoras financeiras e portanto traria benefícios para imigrantes legalmente no país. As altas do mercado financeiro, o investimento enorme previsto na infraestrutura, as reaberturas de mercados estagnados nos últimos anos ante a remoção de vários regulamentos onerosos ao crescimento e produção, trazem expectativas de grandes oportunidades nas indústrias de construção, financeira e imobiliária. Já em relação ás pessoas no país que estão indocumentadas, o Código imigratório é o mesmo desde 1996 e não apresenta, nesse momento, opções novas de legalização a não ser aquelas comumente existentes como através do casamento ou filhos cidadãos maiores de 21 anos (ajustamento no país somente para imigrantes que entraram legalmente).

Entretanto, ainda cremos que uma reforma imigratória deverá ser aprovada durante esse governo. Junto com a comunidade esperamos que isso aconteça logo e beneficie as milhões de famílias em espera há tantos anos e que tanto contribuem pra sociedade."

Kaio Wilker

Kaio Wilker, Cabelereiro (Robert Leonard Salon and Day Spa) Seattle (WA)

“Acho importante nos mantermos informados, ler os jornais mais do que nunca, tanto brasileiros quanto americanos. Escolher fontes de informação com credibilidade. É importante que todos nós possamos conversar, discutir e escutar a opinião do outro, mesmo que não concordemos, de uma forma pacífica. Somente conversando podemos nos fazer melhor e melhoras outras pessoas. É importante que todos nós possamos descobrir como podemos ajudar o nosso país de origem e aonde vivemos hoje. E por que não outras partes do mundo? Todos nós podemos fazer algo para ajudar ao próximo, estamos vivendo um momento delicado. Precisamos nos unir e proteger uns aos outros, porque todos nós estamos sendo atacados de uma forma ou outra. Não podemos mais nos dividir, entre homens e mulheres, negros, amarelos, verdes ou brancos. Também não podemos proteger só os nossos filhos por que eles são héteros, gays ou transexuais. Precisamos de julgar menos, erguer as mãos uns aos outros. Não precisamos de entender, mas podemos tentar, precisamos sim de respeitar uns aos outros por suas escolhas e por sua fé. E temos que estar atentos e ir as ruas e lutar por nossos direitos. Não podemos estar trabalhando reclamando de como foi difícil chegar ao trabalho quando outras mil pessoas estavam nas ruas buscando um mundo melhor. Temos que encontrar nossa posição no mundo e mostrar que não vamos nos calar, e lembrar aos líderes políticos e sociais que ainda estamos aqui.

Eu não voltaria a viver no Brasil hoje, porque já estou acostumado como apesar de tudo. Viver aqui é um pouco mais fácil. Mas, acredito que muitas pessoas estão também estão vivendo bem no Brasil. Às vezes temos que olhar para o que temos de bom, onde estamos e aproveitar a vida porque ela é curta, ao invés de estarmos sempre em um lugar querendo estar em outro. Todas as escolhas que fazemos nos trazem algo bom e algo que não gostamos tanto.”

Jesse Branth

Jesse Branth, Supervisor de Operações do Elder Service Plan (CHA), Malden (MA)

“O meu conselho no momento é que os imigrantes brasileiros que estão aqui nos Estados Unidos mantenham a calma no momento de tensão que estamos passando. Nós, imigrantes que vivemos aqui há mais tempo e que já passamos pelo 11 de Setembro, foi bem difícil, mas sobrevivemos. Muitos que voltaram para o Brasil naquela época já voltaram ou ainda querem retornar para a América.

E lógico, que devemos tomar algumas prevenções como, por exemplo, se for dirigir não beba e procure respeitar as leis de cada estado. Evitar conflitos, brigas ou qualquer distúrbio com o próximo.

Procurar informações através de todas as formas de mídia, tanto brasileira como americana. Procure ajudar a quem estiver mais próximo de você.”

Deuzeny DaSilva

Deuzeny DaSilva, Housecleaner, Boston (MA)

“Neste momento de tensão com a política do presidente atual, tem que manter a calma e respeitar as leis. Viver nos Estados Unidos sempre valerá a pena, pois, este é um país de oportunidades para aqueles que buscam realizar seus sonhos.”

Margareth Shepard, candidata a vereadora, Framingham (MA)

“Se mantenham bem informados acerca da política a nível nacional e local. Procurem fontes respeitáveis de notícias, jornais e revistas que tenham a seriedade de trabalho atestada ao longo dos anos. Se engajem, apoiando financeiramente, e participando de entidades e instituições que lutam pelo do imigrante. Lembre-se sempre que se permitimos que outros imigrantes sejam atacados sem fazer nada, um dia alguém pode nos atacar também, carregamos no rosto, no nome, ou no sotaque, a identidade de imigrante.

Aos que já são cidadãos americanos que participem do processo eleitoral, não apenas votando, mas se inteirando mais acerca da política local conhecendo mais os candidatos antes de conceder seu voto. Considerem também a possibilidade de fazerem parte do partido político que mais se adeque às suas convicções, participe das reuniões dos diretórios locais, e para os que gostem, e tenham tempo, que se tornem membros dos diretórios. Assim farão também parte do processo de escolha dos candidatos, e quem sabe se torne em um dos candidatos. Esta participação e a forma mais eficaz de garantir que o governo, federal e local, seja composto por políticos que os defenda. O governo Trump vai continuar tentando tomando medidas que prejudicam a comunidade imigrante, assim como vai continuar tentando retroagir em relação às políticas de defesa do meio ambiente, isto não é surpresa, durante sua campanha ele já anunciava que faria isto. Porém se a nível local elegemos políticos que acreditam em ciência, querem administrar para o bem de todos, e sejam comprometidos com as causas dos imigrantes. Trump vai continuar encontrando resistência e seremos capazes de consertar o estrago em 2020.

Aos portadores de Green Card que solicitem a cidadania americana assim que se qualifiquem. Lembre-se sempre que se permitimos que outros imigrantes sejam atacados sem fazer nada, um dia alguém pode nos atacar também, carregamos no rosto, no nome, ou no sotaque, a identidade de imigrante.

E sobretudo se junte se a quem se está opondo às políticas de deportação do regime Trump, defendendo os projetos de lei que os protejam de deportação assegurando status de Santuário, para cidades e/ou o estado. Tem muito trabalho a ser feito e é preciso de mais voluntários.

O melhor lugar para vivermos, e criarmos a nossa família, é o lugar que nascemos. O imigrante vive uma situação desfavorável todos os dias, enfrenta barreiras culturais, educacionais e financeiras imensas, e nem sempre é capaz de supera-las. Isto sem contar com a saudade da família. Se quando a situação política era mais favorável já era difícil, imaginem agora quando o preconceito e o ódio são incentivado pelas políticas de um presidente que sonha em expulsar os imigrantes do país.

Para aqueles que estão pensando em arriscar a vida em travessias de fronteiras através de agenciadores, ou coiotes, por favor não o façam. Suas vidas são valiosas, e suas famílias precisam de vocês. Não se deixem encantar pelas fotos de Facebook que mostram um cenário maravilhoso, e dinheiro em abundância, elas não mostram o dia a dia da maioria dos imigrantes.”

“Por motivos óbvios, desaconselho qualquer pessoa encarar os riscos tremendos de viajar pelo México e entrar ilegalmente nos EUA – a viagem é extremamente perigosa e entrada ilegal nos EUA pode resultar em prisão.” Advogado Danilo Brack.

“Não faça nada errado. Ande reto e sem mancha. Isto mesmo, não faça nada contra a si mesmo e contra seu próximo que poderá envolver a polícia. Dirigir embriagado ou intoxicado pode te levar a deportação.” Carlos Silva, Assistência Total Brasileira.

“Precisamos nos unir e proteger uns aos outros, porque todos nós estamos sendo atacados de uma forma ou outra. Não podemos mais nos dividir, entre homens e mulheres, negros, amarelos, verdes ou brancos.” Cabelereiro Kaio Wilker.

“Procurar informações através de todas as formas de mídia, tanto brasileira como americana. Procure ajudar a quem estiver mais próximo de você.” Jesse Branth, ESP.

Fonte: Redação - Brazilian Times