Publicado em 28/07/2017 as 4:00pm

Walmart ignora Trump e busca fornecedores estrangeiros para enfrentar Amazon

Com estratégia, empresa flexibiliza política anunciada em 2013 de vender produtos feitos no país e vai contra programa de Donald Trump de incentivar a indústria americana.

Walmart ignora Trump e busca fornecedores estrangeiros para enfrentar Amazon O presidente americano Donald Trump defende medidas para estimular a indústria nacional e barrar importações de industrializados nos EUA. Foto. REUTERS Jonathan Ernst

O braço de varejo online da rede americana Walmart está recrutando fornecedores na China e outros países para impulsionar suas ofertas online, se afastando da campanha do grupo de privilegiar produtos fabricados nos EUA.

A decisão do Walmart vem por necessidade: nem todos os produtos que seus clientes desejam - desde jeans a bicicletas e até produtos de beleza - são fabricados nos Estados Unidos.

Essa realidade colocou o Walmart em oposição ao empenho do presidente Donald Trump de incentivar produtos "Made in America".

A empresa também corre o risco de se indispor com alguns atuais fornecedores nos EUA, uma vez que a política vai contra a promessa feita pela varejista em 2013 de vender produtos fabricados no país. A promessa foi uma tentativa de conquistar clientes e satisfazer os sindicatos e outros críticos, que disseram que sua buscas por bens de baixo valor estava prejudicando os empregos dos norte-americanos.

O vice-presidente para serviços parceiros do Wal-Mart, Michael Trembley, confirmou que existe na varejista um programa para trazer fornecedores estrangeiros. Ele disse que os vendedores estrangeiros atualmente representam menos de 5%o da base de fornecedores.

De acordo com duas fontes com conhecimento do assunto, o Walmart convidou vendedores da China, Reino Unido e Canadá a listar produtos na seção marketplace (oferta de produtos de outros sites) do Walmart.com. Nessa seção, a varejista ganha uma parte da receita dos bens vendidos e entregues aos clientes por fornecedores terceirizados.

Anteriormente, a empresa somente permitia vendedores baseados nos EUA na plataforma.

Trembley disse que o movimento do Walmart está focado em atender a demanda dos clientes por diferentes tipos de produtos e aumentar a variedade online. O Walmart quintuplicou a sua lista de produtos a venda online para 50 milhões de itens. O número contrasta com os quase 300 milhões de produtos oferecidos pela Amazon online, disseram analistas.

Competição com a Amazon

Reduzir essa lacuna é a chave para a estratégia da Walmart de superar a Amazon. Lançado em 2009, a plataforma online de venda de produtos de terceiros contribui com mais de 10% para a receita de comércio eletrônico do Walmart, mas faz pouca diferença para as vendas totais de quase US$ 486 bilhões, de acordo com dados da empresa de análise de comércio eletrônico Marketplace Pulse.

O mercado de produtos de terceiros na Amazon, que também usa fornecedores globais de países como a China, contribui para quase metade das vendas de varejo da Amazon, disseram analistas.

A mudança de estratégia do Walmart poderá trazer riscos políticos para a varejistas americana. Trump lançou a semana do "Made in America" no início deste mês, quando prometeu tomar mais medidas legais e regulamentares nos próximos seis meses para proteger os fabricantes norte-americanos, atacando acordos comerciais que ele disse prejudicarem empresas dos EUA.

Fonte: Reuters