Publicado em 13/08/2017 as 4:00pm

Brasileiros também serão prejudicados

Projeto RAISE pode impedir vistos para familiares de imigrantes com Green Card.

Brasileiros também serão prejudicados Trump endossa o projeto dos senadores Tom Cotton, do Arkansas, e David Perdue, da Geórgia.

A reforma de imigração é um assunto bastante discutido nos Estados Unidos entre os políticos, mas nenhuma ideia coerente é apresentada. Até o momento, todas as propostas possuem uma falha difícil de corrigir. Prova disso é este último projeto apresentado pelos senadores republicanos Tom Cotton, do Arkansas, e David Perdue, da Geórgia, e endossado pelo presidente Donald Trump.

Intitulado Reforming American Immigration for a Strong Economy (RAISE) Act, o projeto propõe um “sistema de pontos”, baseado em mérito e qualificações, fortalecendo as barreiras para a entrada de imigrantes. Desta forma, o objetivo é reduzir imediatamente em 45% a emissão de Vistos.

Os especialistas em políticas concordam que não há como diminuir a força de trabalho necessária para propiciar as próprias necessidades econômicas. "Uma força de trabalho crescente - auxiliada pela imigração - não só ajuda a reforçar as finanças da Segurança Social, mas também resulta em maior demanda por bens e serviços, contribui para o crescimento econômico através da inovação e do empreendedorismo, cria empregos e melhora o país a longo", disse Theresa Cardinal Brown, diretora de imigração e política transfronteiriça do Bipartisan Policy Center.

Entenda a seguir como funciona o projeto apresentado pelos senadores e o que ele pode mudar em relação a emissão de Green Card e Vistos:

A cada ano, são concedidos até 140 mil Green Cards baseados em emprego. Com este projeto de lei, o processo de inscrição para este documento seria reconfigurado. Um candidato precisaria de 30 pontos para se candidatar, com pontos obtidos por idade, proficiência em inglês, qualificações acadêmicas, riqueza, ofertas de emprego e medalhas ou honras internacionais.

Então, um jovem de 27 anos com mestrado em química na Universidade de São Francisco, com uma pontuação de 60 por cento no teste de proficiência em inglês, aumentará 24 pontos. Esse candidato precisaria de um emprego pagando-lhe um salário anual de US $ 130.000 para chegar ao número elegível de 32 pontos. E se essa mesma pessoa tivesse US $ 1,38 milhões de economia, isso o tornaria um pouco mais elegível.

Ainda não se formou na Universidade de Harvard, é proficiente em inglês (talvez de uma das antigas colônias da Grã-Bretanha), mas ainda não ganharia um bom salário? Você, provavelmente, falhará no teste para obtenção do Green Card, baseado no RAISE.

Dean Garfield, CEO do Conselho de Indústria de Tecnologia da Informação (ITI), que representa as empresas de tecnologia, incluindo aquelas que ocupam uma grande parcela em São Francisco(California), como Google, Dropbox e Adobe, repudiou fortemente o projeto. "Esta não é a proposta certa para consertar o nosso sistema de imigração, porque não aborda os desafios que as empresas de tecnologia enfrentam. Ele injeta mais disfunção burocrática e não permite que os empregadores analisem os méritos dos funcionários que precisam para ter obter sucesso e crescer nos EUA", disse.

O projeto divide a aceitação de imigrantes e serve para eliminar os candidatos de muitos países e dar preferência aos outros. Esta preferência divide-se em grande parte ao longo das linhas de raça e cor. Não se pode negar que a anglofonia (incluindo a Inglaterra, Irlanda, Austrália e Canadá) tem uma população maior que fala inglês. Ao contrário de países como China ou Brasil.

Outro ponto negativo se o projeto for aprovado é que também serão restringidos Vistos para familiares de quem tem Green Card. Neste grupo estão filhos, irmãos e avós.

Em suma, o RAISE Act reduzirá drasticamente a imigração, reduzirá a diversidade, complicará a avaliação do mérito, aumentará a burocracia e excluirá os membros da família de fazerem parte do tecido da vida familiar de quem tem Green Card ou Autorização de Trabalho.

Fonte: Redação - Brazilian Times