Publicado em 14/08/2017 as 10:00am

Adolescente brasileiro é detido ao desembarcar nos EUA; pai apela por deportação

O fluminense Renato Fraga, 42, não imaginou que acordaria neste domingo (13), Dia dos Pais, com...

Adolescente brasileiro é detido ao desembarcar nos EUA; pai apela por deportação Vitor Fraga com o pai, Renato, pouco antes de embarcar para os EUA, onde o adolescente foi detido e levado a um abrigo sob a acusação de imigração ilegal

O fluminense Renato Fraga, 42, não imaginou que acordaria neste domingo (13), Dia dos Pais, com uma única preocupação: tirar seu filho Vitor, 15, de um abrigo para adolescentes refugiados em Chicago, nos Estados Unidos. Ele foi detido pela Imigração americana no aeroporto de Houston no último dia 9, sob suspeita de imigração ilegal.

O caso de Vitor, de Niterói (RJ), é semelhante aos de outros adolescentes brasileiros que ficam detidos ao viajar desacompanhados dos pais e são levados ao abrigo, onde ficam dias e até meses antes de serem liberados pelas autoridades norte-americanas. Vitor viajava com a avó, carregava uma autorização dos pais para viajar desacompanhado e tinha visto de turismo nos Estados Unidos.

Segundo a imigração americana, em explicação levada aos pais, ele foi detido porque estava matriculado em uma escola pública dos Estados Unidos com visto de turista --de acordo com especialistas em imigração, esse é um dos argumentos que motivam a detenção de adolescentes pelas autoridades do país.

"Todo mundo está preocupado. É Dia dos Pais, e ninguém na família dorme desde quarta-feira", lamenta Fraga. "Entendo as razões da imigração, mas o que importa é que já estou aqui [nos Estados Unidos] para levá-lo, com as passagens compradas e tudo. Mesmo assim, não escutam ninguém", reclama.

Vitor e sua avó desembarcaram em Houston para pegar um voo a San Francisco, onde mora a madrinha do adolescente --a tia que fez a matrícula do adolescente na escola. "Nós [pais] não sabíamos que era uma escola pública, achamos que era um curso de inglês. Não nos atentamos a isso", lamenta. "O objetivo dele não era o estudo, era a visita mesmo. Ele só aproveitaria para fazer algumas aulas de inglês."

Eles foram levados a uma sala da imigração no início da manhã de quarta, e horas depois Renato foi avisado no Brasil. "Me falaram que eu tinha que estar lá no mesmo dia, mas era impossível porque não havia voo. Comprei a primeira passagem e embarquei para Houston à noite. Mas nesse meio tempo eles separaram o Vitor da avó e liberaram ela. Desembarquei em Houston às 5h e às 5h15 ele embarcou para Chicago. Se eu tivesse conseguido chegar antes, a gente teria voltado."

Renato seguiu para Chicago, onde procurou a imigração imediatamente. "Perguntei onde meu filho estava e o atendente simplesmente respondeu: 'não falo com passageiro'. Eu disse que era um pai procurando o filho detido, mas o atendente falou que, ainda assim, eu era um passageiro. Virou as costas, e eu me senti um zé-ninguém ali."

O contato do pai com a imigração passou a ser feito pelo consulado brasileiro em Chicago --que, por sua vez, entrou em contato com uma ONG que cuida dos adolescentes no abrigo. Essa ONG, chamada Heartland Alliance (https://www.heartlandalliance.org/), destinada ao combate do tráfico infantil, é quem faz a intermediação entre consulado e imigração americana. Foi em um escritório da ONG que Renato conseguiu encontrar o filho, na sexta-feira, conversando com Vitor por uma hora. Um representante da agência, "super educado, sem armas nem nada", segundo o pai, levou o adolescente para o encontro, acompanhou a conversa e depois o levou de volta para o abrigo. "Eu e o Vitor não podíamos nem nos tocar", relata.