Publicado em 25/09/2017 as 1:00pm

Brasileiro fala que não saberia viver no Brasil

“Eu cresci aqui e tudo que conheço está aqui. Não sei nada sobre meu país de origem”, fala Rodrigo que pode ser deportado com o fim do DACA.

Brasileiro fala que não saberia viver no Brasil Fim do DACA coloca milhares de jovens na linha de deportação.

“É apenas um pequeno pedaço de plástico, não maior do que uma carteira de motorista, mas mudou tudo. Não há mais aquele nó no estômago quando preencho os pedidos de emprego e perguntam ‘Você pode trabalhar aqui legalmente?’. Não preciso mais depender de outras pessoas para dirigir por mim porque não posso obter uma carteira de motorista. Quando eu consegui o DACA foi incrível. Foi um alívio. Significa muito. É minha vida ", disse Vania Garrido, de 31 anos, de New Bedford, cuja família se mudou para Massachusetts, vindo de Portugal, quando ela tinha 3 anos de idade.

Vania, que trabalha em tempo integral como técnica em farmácia na cidade de Fall River (MA) e a tempo parcial como garçonete e limpeza de casas, iniciará um novo trabalho na próxima semana como caixa em um banco em Taunton. Se ela perder o DACA, ela perderá o seu emprego e a sua carteira de motorista.

"As pessoas dizem aos imigrantes ‘Voltem de onde você veio’. Mas é daqui que eu vim. É tudo o que já conheci. É quem eu sou", disse Vania, formada em 2004 pela Greater New Bedford Regional Vocational Technical High School, onde estudou tecnologia da informação.

Maria, residente de Fall River, de 22 anos, que trabalha como representante de atendimento ao cliente em uma companhia de seguros de saúde, também perderia seu emprego se perder o DACA. "Eu não gosto de falar sobre isso. Parece muito real. Eu não posso mais chorar", disse ela, que pediu para que seu nome verdadeiro não fosse usado.

Sua família se mudou para Fall River, dos Açores, quando ela tinha apenas cinco anos.

De acordo com a política do programa Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA), os imigrantes indocumentados que chegaram aos Estados Unidos quando eram crianças podem solicitar o adiamento de qualquer ação de deportação por dois anos, com a opção de renovar a cada dois anos.

Um beneficiário do DACA pode candidatar-se a uma carteira de motorista, pagar uma taxa de matrícula na faculdade, mas não receber ajuda financeira e pode trabalhar sem medo de deportação.

Mas em 5 de setembro, o presidente Donald Trump anunciou o fim do DACA - embora não expire imediatamente para os beneficiários atuais e, desde o anúncio, ele pediu aos líderes do Congresso para criar uma legislação para substituí-lo.

Rodrigo, de 22 anos e morador de Natick, chegou a Massachusetts com sua família vindo do Brasil quando tinha 4 ou 5 anos de idade. "Uma vez que eu consegui DACA, minha vida mudou completamente. Eu nem sei explicar isso", disse Rodrigo, que solicitou o DACA através do escritório de direito dos Serviços Sociais Católicos na Diocese em Fall River, assim como Vania e Maria.

Rodrigo, que sonha em ser fotógrafo, trabalha em uma concessionária de automóveis como um manobrista e solicitou para trabalhar na área de fotografia dentro da empresa.

Se o seu status DACA expirar, ele perderá seu emprego. Nenhuma empresa profissional pode se dar ao luxo de contratar funcionários que não possam trabalhar legalmente. "É meio assustador. Eu não saberia o que fazer se eu perder", disse Rodrigo, que pediu que seu sobrenome não fosse usado.

Não é que ele não goste do Brasil. Na verdade, ele sonha em visitá-lo algum dia. Mas não é sua casa, como ele disse. Ele não tem lembrança de nada do seu país natal, além de uma fraca lembrança de ficar no quintal de sua casa.

"Se eles acabarem com o DACA completamente e falarem que 'não somos bem-vindos aqui', provavelmente eu simplesmente terei que ir embora", disse Rodrigo.

Fonte: Redação - Brazilian Times