Publicado em 26/10/2017 as 4:00pm

Menor sem documentos aborta nos EUA após disputa legal contra governo Trump

Menor foi detida na fronteira do México. Tribunal de apelações autorizou intervenção.

Menor sem documentos aborta nos EUA após disputa legal contra governo Trump Manifestantes protestam em apoio à menor detida nos EUA que enfrentou batalha legal para fazer aborto (Foto AP Photo - J. Scott Applewhite)

Uma menor sem documentos retida em um centro de detenção do Texas abortou na madrugada desta quarta-feira (25) depois que um tribunal de apelações de Washington autorizou a intervenção nesta terça, após um mês de batalha legal contra o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A jovem de 17 anos, cuja identidade e país de origem não foram revelados, se submeteu ao procedimento cirúrgico horas depois que a corte determinou que podia fazer o aborto "imediatamente", segundo confirmou nesta quarta-feira à Agência Efe a União Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês).

Para proteger sua identidade, foi outorgado à menor o nome "Jane Doe".

A decisão da corte reverteu a de um painel de três juízes que na última sexta-feira obrigou a jovem a encontrar um tutor nos próximos 11 dias para submeter-se ao aborto, uma opção que, segundo várias organizações de direitos civis, dificultava muito a realização do procedimento.

"A justiça prevaleceu hoje para 'Jane Doe', mas não se equivoquem a respeito; os esforços desta Administração para interferir nas decisões das mulheres não terminarão com este caso", declarou em comunicado o advogado-chefe do projeto de liberdade reprodutiva da ACLU, Brigitte Amiri.

A menor, que se encontra reclusa em um centro de detenção de Brownsville (Texas), cruzou ilegalmente a fronteira entre o México e os Estados Unidos no início de setembro já estando grávida.

"Minha viagem não foi fácil, mas vim aqui com a esperança no meu coração de construir uma vida da qual possa estar orgulhosa: sonho em estudar, ser enfermeira e trabalhar um dia com idosos", disse a menor através do seu tutor no mesmo documento enviado à Efe.

Detida na fronteira

"Jane Doe" explicou que não sabia que estava grávida até que os agentes que a detiveram lhe comunicaram depois que foi detida nessa cidade fronteiriça.

"Imediatamente soube o que era melhor para mim, já que não estou pronta para ser mãe", garantiu a adolescente, que disse estar muito agradecida com todo o apoio recebido este último mês.

A jovem detalhou no seu relato que o governo Trump a fez ver um médico que tentou convencê-la "de não abortar e observar as ultrassonografias", depois que um juiz federal do Texas autorizou seu aborto no último dia 25 de setembro.

"Não diria a nenhuma outra menina na minha situação que deveria fazer isso. Essa decisão é dela e unicamente dela", concluiu "Jane Doe".

Fonte: Por Agencia EFE

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