Publicado em 24/01/2018 as 9:00am

Mãe e filho são presos pela imigração na fronteira

Rapaz afirma que ficou trancado em ônibus por 24 horas e teve que beber urina para matar a sede.

Mãe e filho são presos pela imigração na fronteira Sueli e Wellington seguram documentos da deportação - Foto - Matheus Fazolin

Milhares de brasileiros tentam, todos os anos, entrar nos Estados Unidos, sendo que alguns buscam o fazer através dos meios legais e outros preferem se arriscar em uma perigosa travessia na fronteira. O Brazilian Times já registrou diversas destas aventuras, onde algumas terminaram em sucesso e outras não tiveram um final feliz.

Nesta semana, o site da Globo contou a história de dois moradores da cidade de Sorocaba (São Paulo). Mãe e filho se aventuraram na busca pelo “sonho americano” e acabaram vivendo um pesadelo.

De acordo com a reportagem os dois foram flagrados por agentes americanos quando tentavam entrar no estado da Califórnia, no ano passado. O rapaz foi transferido cinco dias depois.

No estado do Arizona, o sorocabano ficou 22 dias preso com outros 100 imigrantes. "Para mudar de penitenciária, fiquei mais de 24 horas sem comer nem beber, algemado dentro de um ônibus que nos levava para a cidade de Laredo, no Texas", contou ele para a reportagem.

Sueli passou por cerca de cinco penitenciárias dos Estados Unidos. "Foram tantos lugares que nem lembro o nome. Me garantiram que não ficaria longe do meu filho, mas fiquei. As celas eram superlotadas, horrível", lamenta.

Os dois foram presos em 5 de outubro. A mãe ficou um mês presa até ser deportada. Já para o rapaz o retorno foi mais difícil: foram três meses passando de prisão em prisão até conseguir a deportação para o Brasil.

Segundo o Itamaraty, os dois estão entre os mais de 1,4 mil brasileiros que foram deportados dos EUA durante 2017.

A ideia de correr atrás do sonho americano começou a tomar forma há um ano. Desempregado e pai de três filhos, de 2, 4 e 9 anos, Wellington viu nos EUA a chance de dar uma vida melhor à família.

Sueli aproveitou os planos do filho e resolveu ir junto. A dona de casa, mãe de cinco filhos, queria proporcionar condições melhores a eles e ao neto de 8 anos, que tem paralisia infantil. "Fiz essa escolha pensando nele", afirma.

Eles contam que pesquisaram na internet o melhor trajeto para fazer a travessia ilegal. As pesquisas começaram em janeiro de 2017 e, quase nove meses depois, em setembro, deram início ao plano.

"Ficávamos pesquisando o lugar mais fácil para entrarmos e vendo onde seria mais barato", lembra Wellington.

Ao contrário de outros brasileiros, que contratam "coiotes" para ajudá-los na travessia, os moradores de Sorocaba resolveram ir sozinhos.

Wellignton conta que, ao ser preso, tentou pedir para dar um telefonema, mas foi impedido. Nem ele nem a mãe falavam outro idioma além do português.

"Não deixaram ligar para minha família... Não pude avisar ninguém!", diz. Já Sueli conseguiu dar um rápido telefonema para a filha, de 21 anos. “Foi o tempo necessário da minha mãe dizer, ‘estou presa’ e desligaram o telefone”, lembra Stefani de Oliveira.

Separados depois da prisão, mãe e filho dizem que procuraram ajuda do Consulado Brasileiro, mas não tiveram retorno.

Ao G1, o Itamaraty, informou que não há registro de contato dos brasileiros com o consulado de Los Angeles, responsável pela área onde foram presos. Reforçaram também que o Itamaraty presta assistência consultar fornecendo roupas, comida, material de higiene e assistência jurídica para os brasileiros que pedem ajuda.

Fonte: Redação - Brazilian Times

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