Publicado em 9/02/2018 as 4:00pm

Patrulha da Fronteira abordam passageiros de ônibus em Maine

Ação semelhante aconteceu na Flórida e gerou grande polêmica. Os diretores da patrulha afirmam que têm direito de atuar a até 100 milhas da fronteira.

Os agentes da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos no extremo norte do país vão muito mais além da função de vigiar a frígida fronteira com o Canadá.

Em uma estação de ônibus em Bangor, no estado do Maine, por onde as pessoas frequentemente passam para passeios a cidades maiores, os agentes solicitaram que a documentação dos passageiros e se eram cidadãos dos EUA.

Um dos abordados entrou em contato com a União Americana de Liberdades Civis (ACLU, sigla em inglês) de Maine para contar o ocorrido. Os ativistas chamaram a prática de “preocupante”.

Conforme um relato de Zachary Heiden, diretor jurídico da ACLU em Maine, “ninguém quer viver em uma sociedade em que constantemente precisar ficar mostrando documentos".

Apesar de terem recusado a falar com a imprensa, os diretores da Patrulha da Fronteira confirmam que seus agentes se envolvem rotineiramente em operações em centros de transporte em todo o estado.

A lei concede aos oficiais de imigração amplos poderes, permitindo-lhes procurar imigrantes indocumentados em barcos, aviões, trens, ônibus e outros veículos - sem mandato - dentro de 100 milhas da fronteira.

De acordo com a ACLU, isso coloca todo o estado de Maine dentro dos limites estabelecidos. Os advogados da ACLU estão agora buscando registros federais. "Nós não sabemos o suficiente sobre as paradas. Não sabemos porque eles estão fazendo isso. Não sabemos com que frequência eles estão fazendo isso e não sabemos quais foram os resultados", disse Heiden .

Em janeiro, agentes de patrulha da fronteira também fizeram o mesmo tipo de abordagem em um ônibus em Fort Lauderdale, na Flórida, questionando a cidadania dos passageiros. As pessoas usaram os telefones celulares para registrar o ocorrido que se tornou viral na internet.

Uma mulher, que tinha ultrapassado um visto, foi levada sob custódia. Na semana passada, um passageiro em um trem da Amtrak, em Siracusa (NY) registrou em vídeo os agentes perguntando aos que estavam a bordo sobre a cidadania de cada um.

No Maine, a reação às ações dos agentes foi mesclada.

"Eu acho que é ultrajante. Eu sou um cidadão dos EUA. Estou orgulhoso disso. Agradeço a segurança, pois quanto mais melhor, mas acho que é uma violação dos nossos direitos e da nossa privacidade", disse Sally Fischel.

"Eu preferiria estar seguro do que me desculpar", disse Ann Palmer, de uma estação de ônibus em Portland, Maine. "Se um agente se aproximasse de mim, ficaria feliz em atender o que ele me pedisse. Eu ficaria feliz em dizer a ele a minha cidadania".

A Patrulha de Fronteira não forneceu detalhes sobre o número de abordagens realizados em rodoviárias ou outras áreas de transporte, mas forneceu uma declaração, explicando que as ações de execução além da fronteira são realizadas "como meio de impedir o tráfico e as organizações criminosas de explorar centros de transporte existentes para viajar para o interior dos Estados Unidos ".

Fonte: Redação - Brazilian Times