Publicado em 14/02/2018 as 6:02am

Principais beneficiados, idosos temem expulsão de imigrantes dos EUA

Em Dallas, uma senhora de 93 anos está preocupada com a mulher que, há anos, vem à sua casa...

Principais beneficiados, idosos temem expulsão de imigrantes dos EUA Norma, uma imigrante que deixou El Salvador com sua família, empurra uma cadeira na casa de uma vizinha de 91 anos, que precisa de cuidados, na Califórnia.

Em Dallas, uma senhora de 93 anos está preocupada com a mulher que, há anos, vem à sua casa quatro dias por semana para ajudar com as compras, cuidar das roupas, fazer faxina e dirigir. "Ela é simplesmente maravilhosa, confio plenamente nela", afirma a idosa.

Contudo, como a funcionária é uma imigrante mexicana que entrou ilegalmente no país, as duas mulheres sentem cada vez mais medo de que a auxiliar seja presa e deportada; não vou revelar seus nomes por causa disso.

"Se essa mulher for parada pela polícia hoje, quem ajudará a minha mãe amanhã?", questiona a filha, advogada em Oakland, Califórnia.

Na cidade de Nova York, Mary DiGangi, diretora de recursos humanos do Menorah Center for Rehabilitation and Nursing Care, solicitou recentemente de 20 a 25 auxiliares de enfermagem e enfermeiros não diplomados a agências de emprego.

É um pedido típico e, geralmente, ela se vê inundada com candidatos no dia seguinte. Dessa vez, apareceram somente cinco em mais de um mês.

Ela acha que a retórica e a política de imigração do governo Trump desestimularam trabalhadores potenciais. O Menorah, integrante do MJHS Health Systems, se vale bastante de imigrantes entre seus 3.500 funcionários.

Entre eles, 25 auxiliares de enfermagem e enfermeiros não diplomados haitianos cujo status de proteção temporária terminou em novembro. Eles terão de ir embora até julho de 2019, se a secretária de segurança interna não mudar de ideia. Outros funcionários do Menorah, trazidos aos Estados Unidos quando crianças, agora com direito à Ação Diferida para Chegadas na Infância (Daca, na sigla em inglês), também permanecem no limbo.

"Os empregados dizem que sabem que tudo ficará bem. Não sei se estão querendo convencer a mim ou a si mesmos", afirma DiGangi.

Um a cada quatro trabalhadores de atendimento direto nas clínicas de repouso, unidades com vida assistida e agências de assistência domiciliar dos EUA nasceram no exterior, de acordo com análise de dados do censo feita pela PHI, instituto nova-iorquino de pesquisa.

No mercado paralelo, onde os consumidores contratam funcionários diretamente e, muitas vezes, os pagam por debaixo dos panos, a proporção deve ser maior.

"Estamos vendo um crescimento da escassez de mão de obra em cuidados diretos", diz Robert Espinoza, vice-presidente de política do PHI. "O segmento como um todo está sendo afetado, além de afetar pessoas idosas e com deficiência e suas famílias."

A escassez em parte tem a ver com o crescimento da economia, assegura Robyn Stone, pesquisadora tarimbada da Leading Age, que representa provedores de serviços de saúde de longo prazo sem fins lucrativos.

Segundo ela, quando as empresas estão contratando, "esse pessoal pode procurar outro hospital que pague mais ou outro setor, como lanchonetes, e ir embora".

Em geral, contudo, o que estimula a escassez de mão de obra é a mudança demográfica em longo prazo. Os idosos estão vivendo mais, a maioria desenvolvendo doenças crônicas e deficiências; o próprio número da geração nascida após a Segunda Guerra Mundial aumenta a demanda por assistência.

Todavia, a população de mulheres com idade para trabalhar, que geralmente fornece cuidados pagos ou não, encolheu – e agora têm mais opções de carreira do que antes.

Assim, cuidar de idosos, em suas casas ou clínicas, se tornou o clássico exemplo de emprego não aceito por norte-americanos nativos.

É um trabalho que exige muito em termos físicos e paga pouco – de acordo com o PHI, o salário médio de funcionários para atendimento em casa era de US$ 10,49 por hora em 2016 – e não costuma incluir benefícios. Os auxiliares, geralmente mulheres, que trabalham nesse papel crucial, mas de baixa renda, geralmente têm direito a programas de saúde ou alimentares do governo federal.

Seus defensores sempre pediram formas de melhorar os empregos, com mais treinamento e pagamento maior. Por ora, porém, o que o PHI chama de "abismo de cuidadores" tem sido preenchido por imigrantes.

Fonte: Redação - Brazilian Times

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