Publicado em 13/04/2018 as 1:00pm

Brasileiros processam governo por detenções de imigrantes casados com americanos

Cinco imigrantes lideram este processo, inclusive uma brasileira que ficou três meses detida depois de uma entrevista para validar seu casamento com um cidadão dos EUA.

Brasileiros processam governo por detenções de imigrantes casados com americanos Lilian Calderon, ao centro, com seu marido Luis Gordillo, e a advogada da ACLU, Adriana Lafaille.

Um casal da Braintree (Massachusetts) se juntou a uma ação coletiva acusando o governo Trump de deter ilegalmente imigrantes casados com cidadãos dos Estados Unidos enquanto buscam o status legal de imigração.

Amy Chen disse que teme que seu marido Deng Gao, um imigrante da China que está sob uma ordem de deportação, seja detido por agentes de imigração se ele aparecer em uma entrevista para atestar o casamento.

Eles são um dos cinco casais nomeados como demandantes na ação que acusou o governo de ter como alvo pessoas que seguem as regras estabelecidas para se tornar residentes permanentes legais com base em seus casamentos com cidadãos norte-americanos.

Um porta-voz do Immigration and Customs Enforcement (ICE) disse que a agência não comenta sobre processos pendentes.

O processo é o último de uma série de desafios às políticas agressivas de imigração impostas pelo governo republicano.

A American Civil Liberties Union (ACLU), que entrou com a ação na terça-feira (10) em nome dos autores, disse que os regulamentos estabelecidos pelos Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA (USSCIS, sigla em inglês) permitem que pessoas como Gao, que estão sujeitas a deportação e são casados com cidadãos norte-americanos, permaneçam no país durante a maior parte do tempo do processo para a obtenção do status legal de imigração.

As regras foram criadas para manter as famílias unidas e encorajar mais pessoas a ajustar seu status de imigração, segundo os advogados da organização. “Agora, as autoridades de imigração estão alvejando pessoas que estão tentando fazer exatamente isso”, disse a ACLU.

De acordo com Steve Brown, diretor executivo da ACLU em Rhode Island, “as pessoas não devem ter medo de terminarem na prisão por tentarem jogar de acordo com as próprias políticas do governo para resolver seu status de imigração".

O processo diz que as políticas de imigração do presidente Donald Trump estão sendo alimentadas pelo “animus racial” contra as pessoas de cor. A ACLU cita, entre outras coisas, relatos de que o presidente disse preferir mais imigrantes da Noruega, um país predominantemente branco.

“Quando você tem uma administração que toma medidas que impedem as pessoas que têm direito sob a lei de buscar o seu status legal para ficar aqui, com os membros da família dos cidadãos norte-americanos, você deve perguntar: Por quê? É porque a administração tem uma visão sobre que tipo de pessoas deveriam ter o direito de ser americanos?”, indagou Adriana Lafaille, uma advogada da ACLU.

Outros demandantes na ação incluem uma mãe da Guatemala que foi abruptamente detida após uma entrevista sobre seu casamento com um cidadão dos EUA, com quem teve dois filhos, e uma mulher do Brasil que está mantida em uma prisão de Boston por mais de três meses, mesmo tendo a sua petição aprovada. Além dela, tem outro brasileiro no processo.

Lucimar de Souza e Sérgio Francisco: No dia 30 de janeiro, o casal compareceu à uma entrevista para confirmar o casamento, no processo pelo seu status legal de imigração. Imediatamente após a entrevista, e apesar da aprovação da petição matrimonial, Lucimar foi detida e hoje permanece no Suffolk County House of Corrections, em Boston, separada do marido e do filho de 10 anos.

Sandro de Souza e Carmen Sánchez: Sandro, que vive nos Estados Unidos há mais de 20 anos, recebeu a ordem de deixar o país no dia 24 de abril, apesar do progresso em seu processo de solicitação via USCIS e apesar de sua história de comparecer ao escritório do ICE regularmente. Sem a intervenção do tribunal federal, ele será forçado a deixar para trás sua esposa, uma cidadã norte-americana e seu filho que tem residência legal permanente.

Fonte: Redação - Brazilian Times