Publicado em 13/04/2018 as 2:00pm

Imigrantes brasileiros encontram "apoio e boas-vindas" no South Shore

O primeiro ano de Jeanne Pinheiro nos Estados Unidos foi física e emocionalmente difícil. O...

Imigrantes brasileiros encontram Sistema ajuda brasileiros a obter saúde sem barreiras.

O primeiro ano de Jeanne Pinheiro nos Estados Unidos foi física e emocionalmente difícil. O clima frio irritava sua bronquite crônica e ela se sentia isolada por sua incapacidade de dirigir ou falar inglês fluentemente.

Mas Pinheiro, de 38 anos, que mora em Braintree (Massachusetts), professora de piano e vocal, logo encontrou um sentido comunitário ao se unir a uma igreja brasileira, onde encontrou amigos, além de novos clientes para aulas de música.

“Depois de cerca de um ano me adaptei a estar aqui e me apaixonei por esse país - a segurança, a educação, a sensação de boas-vindas”, disse ela, falando por meio de um tradutor durante um recente evento realizado no South Shore Hospital.

Pinheiro, que deixou o Brasil há três anos para se juntar a seu marido neste país, está entre os milhares de brasileiros que se estabeleceram na no South Shore nas últimas décadas, particularmente em Weymouth, Quincy, Stoughton, Rockland e Abington.

Em 2015, o American Community Survey estimou que mais de meio milhão de pessoas de origem brasileira viviam nos Estados Unidos. A imigração brasileira para este país cresceu significativamente no início dos anos 80, devido a uma série de crises econômicas, de acordo com o Migration Policy Institute. Cerca de 90.000 deles se estabeleceram em Massachusetts, que tem a segunda maior população brasileira depois da Flórida.

Carlos Eduardo Siqueira, professor de Desenvolvimento e Planejamento Comunitário da UMass Boston, disse que o Censo dos EUA não tem uma categoria específica para os brasileiros, que, portanto, se rotulam como brancos, latinos ou outros.
Siqueira, que coordena o Projeto Brasil Transnacional no Gastón Institute of Latino Community Development and Public Policy, disse que entre um quarto e um terço dos brasileiros provavelmente estão subestimados.

Siqueira estima que entre 10 mil e 15 mil brasileiros moram na área, principalmente em Weymouth e Quincy. O Instituto Gastón realiza pesquisas sobre as populações brasileiras, mas não analisou especificamente o South Shore e não conseguiu fornecer números mais precisos.

“Os brasileiros se espalham por todo lado. Esta não é uma tendência nova - eles estão nessa área há pelo menos uma década”, disse Siqueira. “O que é novo é entender suas necessidades particulares. Eles se tornam invisíveis ou agrupados sob os latinos, mas não são o mesmo povo”.

Massachusetts tem a maior concentração de portugueses e cabo-verdianos, e os imigrantes brasileiros foram inicialmente atraídos para o estado pelas comunidades de língua portuguesa existentes. Os brasileiros originalmente se estabeleceram nos bairros de Boston, Somerville e Framingham, mas os preços das casas e as oportunidades de emprego os empurraram para outras áreas.

Há um punhado de lojas de alimentos brasileiras na região, incluindo a Segunda Casa Do Brasileiro, em Weymouth, a Gv Brazilian Store, em Rockland e o Do Brazil Market, em Stoughton. Tradicionais restaurantes brasileiros também apareceram, incluindo o Restaurante Mainha, em Avon, e Mineiros Bar e o Steak House, em Rockland.

Heloísa Araújo, uma housekeeper que tem 46 anos de idade, que mora em Weymouth, disse que os brasileiros vieram para os EUA décadas atrás, com a ideia de trabalhar por alguns anos, ganhar dinheiro e voltar ao seu país natal. “Hoje, mais brasileiros estão vindo para construir uma vida aqui, criar filhos e ficar por um longo período”, disse ela.

O Migration Policy Institute atribui a mudança para as condições econômicas e sociais no Brasil, juntamente com as mudanças na política de imigração dos EUA que incentivam os brasileiros a permanecerem aqui. Por exemplo, a Lei da Reforma da Imigração Ilegal e Responsabilidade do Imigrante de 1996 tornou muito mais difícil para as pessoas que anteriormente viviam nos Estados Unidos sem autorização para reentrarem legalmente.

“Quando meu marido chegou aqui, há 33 anos, ele daria a vida para ouvir alguém falar português ou ler”, disse Araújo, que chegou há 18 anos e se tornou cidadão em 2013. “Lentamente, comecei a ver muitos brasileiros vindo para cá. Não sei como ou por que, mas agora temos supermercados, restaurantes e igrejas brasileiras”.

Uma vez que algumas famílias brasileiras se mudaram para o South Shore, segundo Araújo, tornou-se um ponto de referência para outros imigrantes. Ela disse que há muitas oportunidades de trabalho em restaurantes, construção, limpeza e paisagismo.

O número de brasileiros no South Shore estimulou o South Shore Health System, que inclui o South Shore Hospital, a começar a trabalhar com a comunidade em um projeto especial que visa derrubar barreiras existente na saúde, como idioma, transporte, plano de saúde e status de imigração.

Julie Kembel, membro do Conselho Consultivo de Pacientes e Famílias da South Shore Health System, entrou em contato com Araújo sobre o lançamento de uma parceria com o Ministério da Igreja Metodista Unida após uma avaliação das necessidades da comunidade em 2016 identificar os brasileiros como um grupo em risco.

“A língua é uma barreira enorme. É difícil encontrar serviços de tradução quando você entra e tudo está em inglês”, disse Kembel. “Linguagem, seguro e transporte são grandes barreiras”.

Desde o ano passado, o sistema de saúde realizou seminários para membros da igreja sobre exercício, saúde mental e seguro de compreensão. O programa também oferece exames de saúde gratuitos para coisas como doença arterial periférica.

Fonte: Jessica Trufant / Patriot Ledger