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Publicado em 21/05/2018 as 2:00pm

Brasileira relata como foi viver três meses em uma prisão de imigração

Vivendo nos Estados Unidos há 16 anos e em processo de legalização, a brasileira Lucimar de...

Brasileira relata como foi viver três meses em uma prisão de imigração Dreamers, como são conhecidos os jovens imigrantes, receberam do então presidente Barack Obama o direito de ficar legal no país.

Vivendo nos Estados Unidos há 16 anos e em processo de legalização, a brasileira Lucimar de Souza, 49, não imaginava que poderia ser presa na saída de uma audiência, logo depois que o seu casamento com um americano foi aprovado pelas autoridades de imigração. "Já estavam me esperando na porta", contou.

Ela foi encaminhada a um presídio, em razão de uma ordem de deportação de 2002, e passou pouco mais de três meses detida — foi liberada no início do mês.

“Eu sou de Governador Valadares (MG). Vim para os EUA porque escolhi o país para ter minha família, para viver o sonho americano. Eu vim pelo México, ilegalmente. Comecei a trabalhar como faxineira e fui conquistando as minhas coisas. O bom desse país é isso: trabalhando, a gente consegue alcançar nossos objetivos”, disse.

Ela explica que a adaptação foi difícil, mas depois que fica, se apaixona. Em 2006, conheceu o seu marido, que era seu vizinho. “Casamos e tivemos um filho, o Anthony, que hoje tem dez anos”, continua.

Em 2016, ela deu entrada aos papéis para regularizar a sua situação, porque o governo americano abriu um benefício para quem era casado com um cidadão deste país e tinha ordem de deportação. Só que o trâmite é demorado. No início do ano, dia 30 de janeiro, ela foi a uma audiência para reconhecerem o seu casamento. “Passamos por uma entrevista, fizeram perguntas, e foi aprovado. Quando saí, agentes do ICE já estavam na porta me esperando”, relata.

Os agentes lhe informaram que ela seria detida, mas só para questões burocráticas. “Fui sozinha com eles. Me levaram para o escritório, tiraram minhas digitais... Foi quando me contaram que eu iria para o presídio. Aí me desesperei; entrei em pânico. Mas fui seguindo as instruções, não tem como questionar muito. Sabia que tinha uma ordem de deportação [detida na fronteira em 2002, ela foi liberada sob obrigação de comparecer a uma audiência de imigração, mas diz não ter sido notificada”, fala.

“É muito triste porque, a partir do momento em que você é detido, você é um criminoso e é tratado como tal. Fui encaminhada para uma ala de imigrantes. Eram 16 celas, com duas camas, um vaso e uma pia. O chuveiro ficava no corredor. Ficávamos trancadas, mas tínhamos quatro horários de descanso. Eram duas horas cada um. Aí podíamos ficar num salão, onde a gente conversava umas com as outras, brincávamos, assistíamos TV. Chegamos a estar em 32 mulheres, mas no último mês foi diminuindo”.

Em um desabafo emocionante sobre sua prisão, ela conta que “quando você chega, é muita lágrima, muita dor. Todas que estavam ali nunca haviam passado por essa experiência. Mas, graças a Deus, o povo brasileiro é muito caloroso. Assim que eu cheguei, outras brasileiras vieram falar comigo, me consolaram”.

O seu único medo era ser deportada. Várias foram enquanto ela estava lá. “Eles chegam com um aviso, dizendo que seu voo é na próxima semana. Mas não dão horário, não dão dia. Muitas vezes, batem na cela de madrugada. E aí ficava um clima de velório. Porque é tudo o que não queríamos. É o fim de um sonho. São mães, são esposas, são mulheres como eu”, continua.

Para a brasileira, o pior momento na prisão foi quando seu filho ia lhe visitar e, na hora de ir embora, falava: ‘Mãe, eu não quero ir; deixa eu ficar com você’. “Isso me doía bastante. Depois que ele ia, eu chorava. Mas na frente dele, não”, se emociona.

A brasileira disse que recebeu a notícia da libertação numa audiência, na corte. “Fiquei em choque. Mas fiquei muito feliz. Ontem mesmo, eu estava andando com meu marido na rua e falei: Parece que estou sonhando”.

Ela ainda se sente muito bem aqui, porque o que aconteceu foi consequência de uma lei. “Infelizmente, o processo foi arbitrário em algumas partes. Mas não posso generalizar e dizer que o país não é bom. O país é ótimo, é maravilhoso. O governo de Donald Trump causou certo pânico entre os imigrantes. Mas a fase dele também vai passar. O meu sonho é ser americana. Pode escrever: um dia, eu vou ter minha cidadania”, finaliza.

Fonte: Redação - Brazilian Times

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