Publicado em 13/06/2018 as 12:00pm

Jovens imigrantes brasileiros ainda temem deportação após fim do DACA

Sob anonimato, brasileiros que vivem nos Estados Unidos revelaram suas apreensões diante das...

Jovens imigrantes brasileiros ainda temem deportação após fim do DACA Jovens continuam a esperar por uma solução.

Sob anonimato, brasileiros que vivem nos Estados Unidos revelaram suas apreensões diante das incertezas sobre a continuidade do Programa de Ação Diferida para Chegadas na Infância (Daca, na sigla em inglês). Criado em 2012 pelo presidente Barack Obama, protege da deportação cerca de 800 mil jovens que entraram ilegalmente no país ainda crianças — os chamados dreamers (“sonhadores”).

Em setembro de 2017, o sucessor de Obama, Donald Trump, revogou o Daca por decreto, por considerá-lo “inconstitucional”, mas os efeitos da decisão foram suspensos por três juízes federais. “Essa indefinição é um horror, pois tenho muito a dar para este país. Mas já estou odiando os EUA devido a toda essa incerteza”, disse Fernando Santos (nome fictício), 21 anos, cuja família deixou o Brasil, segundo ele, para fugir da violência.

O anúncio da extinção do Daca é um dos componentes mais radicais da política anti-imigração de Trump. Quando tomou a decisão, ele deu prazo ao Congresso até 5 de março de 2018 para aprovar uma alternativa que regularizasse permanentemente a situação.

O presidente se comprometeu a conceder cidadania a 1,8 milhão de jovens imigrantes ilegais — beneficiários ou não do Daca —, mas cobrou dos parlamentares, como contrapartida, a aprovação de US$ 25 bilhões para erguer um muro na fronteira com o México, o que transformou os “sonhadores” em moeda de troca. Como os democratas exigiram um projeto de lei que lidasse exclusivamente com o futuro do Daca, as negociações não frutificaram.

A ofensiva contra o programa é vista com medo e revolta por jovens que, graças a ele, obtiveram permissões temporárias para residir no país, trabalhar, tirar a carteira de habilitação e receber um número do seguro social. Válida por dois anos e renovável por igual período, essa proteção evita a deportação imediada, mas não garante residência permanente nem cidadania futura. A maioria dos beneficiários (76%) é mexicana.

Fernando Santos chegou aos EUA com 5 anos de idade. A família portava vistos de turista e ficou no país após o fim da validade dos documentos. Santos ainda vive com os pais, que, apesar de estarem em situação ilegal, conseguiram trabalho. “Graças ao Daca”, o valor que o jovem desembolsa para estudar é o mesmo cobrado dos que têm residência permanente, o equivalente a um terço do que é pago por não-residentes.

“O Trump é um beócio (grosseiro, boçal) em querer acabar com o Daca”, bradou, irritado pelo fato de já se sentir familiarizado com a cultura, o idioma e a vida nos EUA. Como prevenção para manter a proteção oferecida pelo programa, ele entrou com uma ação judicial. “Ao mesmo tempo, estou buscando outro país para morar, menos o Brasil”, disse, explicando que não fala português nem se identifica com o país onde nasceu.

“Cheguei aos EUA aos 2 anos de idade. Segundo meus pais, eles vieram em busca de melhores condições de vida. Todos nós entramos com vistos de turistas”, disse à reportagem Renata Tavares (nome fictício), hoje com 19 anos. “Graças ao Daca, consegui estudar e trabalhar aqui, onde vivo com meus pais, que perderam a chance de legalização no passado”, acrescentou.

“Acho um absurdo quererem acabar com o Daca, mas creio que ninguém está pretendendo realmente ajudar. Temo ser deportada, porque não tenho nada a ver com o Brasil e nem bem sei falar português. Se for deportada, não terei para onde ir”, afirmou Renata, que procurou deputados democratas em busca de uma solução. “Tenho tanto medo que não tive coragem de solicitar a renovação no programa.”

Fonte: Redação - Brazilian Times (fonte: Comex do Brasil)