Publicado em 11/07/2018 as 2:00pm

EUA deportaram 12 pais imigrantes sem os filhos, que seguem em abrigos

Em documento entregue à Justiça nesta terça-feira (10), o governo dos Estados Unidos informou...

EUA deportaram 12 pais imigrantes sem os filhos, que seguem em abrigos Mulheres de Honduras, Guatemala e El Salvador em McAllen, no Texas, após passarem por detenção pela Patrulha da Fronteira.

Em documento entregue à Justiça nesta terça-feira (10), o governo dos Estados Unidos informou que pelo menos 12 pais imigrantes foram deportados do país sem serem reunidos aos filhos, que permaneceram em abrigos americanos. As crianças têm menos de cinco anos de idade, e ficaram sozinhas nos EUA. Elas deveriam ter sido reunidas aos pais até esta terça —prazo limite dado por um juiz federal da Califórnia.

“Essas crianças estão abandonadas no país por causa das ações do governo, e ainda assim a administração não fez aparentemente nada para facilitar a sua reunificação”, afirmaram os representantes da ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis, na sigla em inglês), que moveu a ação.

A expectativa é que novos casos como esses ainda venham à tona, já que, até agora, apenas 102 crianças foram submetidas à análise da justiça, de um total de pouco mais de 2.000 menores que foram separados dos pais ao atravessarem ilegalmente a fronteira com o México. “Esse será um grande problema”, declarou o juiz Dana Sabraw, em audiência nesta terça. O governo informou que está trabalhando para localizar os pais em seus países de origem, para então determinar como será feita a reunificação das famílias.

Os advogados do governo também argumentaram que é preciso tempo para obter os documentos de viagem das crianças, além da autorização de um juiz de imigração —já que muitas podem ter conseguido status legal no país, a despeito da deportação dos pais.

O magistrado deu até quinta (12) para que a administração traga mais informações a respeito desses casos. Só então ele irá decidir a respeito. Mas Sabraw determinou que outras 63 crianças com menos de cinco anos sejam reunidas ainda hoje aos pais, incluindo oito que aguardam a conclusão de testes de DNA e checagem de antecedentes criminais dos adultos que serão responsáveis por sua guarda nos EUA. É pouco mais da metade dos 102 casos que estavam sendo analisados pela justiça –que correspondem a todas as crianças imigrantes com menos de cinco anos separadas dos pais na fronteira com o México.

“O governo tem a obrigação de reunir essas famílias”, afirmou Sabraw, em audiência. O juiz, porém, admitiu que 27 delas não poderão ser reunidas imediatamente aos pais: alguns dos adultos têm antecedentes criminais, outros dez continuam detidos em presídios federais ou estaduais (que não podem abrigar crianças) e, em um caso, os pais ainda não foram localizados. Sabraw aceitou a extensão do prazo para esses casos, e pediu um relatório para o final desta semana sobre as providências que foram tomadas.

O governo argumentou que está cumprindo a ordem judicial, e que, nos casos em que não haverá reunião familiar hoje, há “impedimentos logísticos” que fogem da competência da administração. Menores com mais de cinco anos devem ser reunidos aos pais até o dia 26 de julho, segundo a determinação de Sabraw.

A separação das crianças imigrantes de seus pais é resultado da política de tolerância zero do governo Trump à travessia ilegal da fronteira. Adultos têm sido processados criminalmente pela prática, e enviados a prisões –que não podem receber crianças. Desde abril, cerca de 2.000 menores imigrantes.

Fonte: Redação - Brazilian Times

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