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Publicado em 3/12/2018 as 12:00pm

Menino de 6 anos aparece sozinho em Tribunal de Imigração

Wilder Hilário Maldonado Cabrera foi separado do pai em 6 de junho, quando ambos cruzaram clandestinamente a fronteira dos EUA.

Wilder Hilário Maldonado Cabrera, de 6 anos, compareceu sozinho ao tribunal de imigração em San Antônio, no Texas

Com 6 anos de idade, Wilder Hilário Maldonado Cabrera foi o réu mais jovem na audiência para menores no dia. Ele foi uma das últimas crianças deixadas sob a custódia do governo e que foram afetadas pela política de tolerância zero.

A audiência ocorreu pouco antes do feriado de Ação de Graças num tribunal de imigração em San Antônio (TX) e o 3º réu a comparecer perante o Juiz Aníbal Martinez sem um advogado que o representasse. Trajando um chapéu de inverno com um par de olhos esbugalhados e um “mohawk” vermelho, ele respondeu orgulhosamente quando o nome dele foi chamado: Wilder Hilário Maldonado Cabrera. “Quantos anos tem o Wilder?” Perguntou o juiz de imigração.

Uma advogada, que estava na sala com outros clientes, apresentou-se e voluntariou para ajudar Wilder. Ela perguntou em espanhol quantos anos o menino tinha. “Seis anos”, respondeu ele, com as pernas balançando na cadeira e sem tocar o piso, no assento dos réus.

De acordo com o Brazilian Voice, Wilder, um menino salvadorenho e sorridente, faltando os dois dentes da frente, vivenciou algo que o fez ainda mais especial. Ele é uma das últimas crianças deixadas sob a custódia governamental e que foram afetadas pela polêmica política de tolerância zero e que esperam a reunificação com os pais que estão detidos nos EUA.

A política, anunciada com grande fanfarra em abril desse ano, enfrentou 2 meses de oposição bipartidária. Ela exigia que as autoridades migratórias processassem judicialmente qualquer pessoa que cruzasse clandestinamente a fronteira e a separasse da(s) criança(s) em companhia dela. Mais de 2.600 crianças, incluindo mais de 100 com idade inferior a 5 anos, foram separadas de seus pais antes que um juiz federal cancelasse a prática e exigisse que as famílias fossem reunificadas o mais breve possível. A maioria delas foi entregue aos pais ou parentes. Aproximadamente, 120 deles ainda continuam sob a custódia federal porque os pais deles já foram deportados. Cerca de 30 casos envolvem crianças cujos pais possuem antecedentes criminais.

No dia da audiência de Wilder, a sala no tribunal estava repleta de menores, a maioria deles adolescentes que não haviam sido separados de seus pais, mas foram detidos sozinhos. Os meninos sentaram atrás e havia 3 moças em estágio avançado de gravidez, uma delas reclamando de dores, à frente.

Wilder e o pai foram separados em 6 de junho, depois que eles cruzarem clandestinamente a fronteira e pediram asilo. Na ocasião, a criança foi colocada temporariamente num lar adotivo. O pai dele, Hilário Maldonado, foi enviado para um centro de detenções. Desde então, eles conversavam esporadicamente por telefone. Enquanto isso, Maria Élida Cabrera, mãe do menino, ficou em El Salvador, lutando pela primeira vez para alimentar os 3 irmãos do menino.

A advogada improvisada perguntou ao juiz para pôr de lado qualquer decisão sobre o pedido de asilo do menino até que o advogado de Wilder pudesse estar no tribunal com ele. O magistrado concordou. “Wilder, eu te desejo o melhor. Nos te veremos em breve”, disse Martinez. Na saída, o menino acenou para o segurança do tribunal e disse: “Até logo polícia”.

Fonte: Redação - Brazilian Times