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Publicado em 7/01/2019 as 3:00pm

Governo Trump dificulta vistos para quem quer trabalhar e investir nos EUA

Aumento de burocracia e de custos restringem entrada daqueles que tentam emigrar legalmente para o país, incluindo brasileiros

Governo Trump dificulta vistos para quem quer trabalhar e investir nos EUA Pressões de Trump dificulta vistos para quem quer trabalhar e investir nos EUA

O discurso que levou Donald Trump à Casa Branca indicava que o governo americano seria muito mais duro com imigrantes que vivem nos EUA sem documentos de residência. Mas, passados quase dois anos de seu governo, a situação pode ter piorado também para quem emigra para os EUA legalmente. Mesmo profissionais altamente qualificados e investidores estão tendo mais dificuldade de se fixar no país, o que também afeta brasileiros.

A maior parte das mudanças ocorreu por procedimentos administrativos, sem alterações em leis. Um processo de imigração ficou, em média, 25% a 30% mais caro. Mais documentos passaram a ser exigidos, e há mais casos em que entrevistas presenciais passaram a ser obrigatórias. Novas restrições afetam cônjuges de imigrantes legais, e quem passou recentemente pelo processo percebeu isso:

“O que eu vejo é que o processo de imigração ficou mais detalhado, mais cauteloso. Há menos espaço para aventureiros”, afirmou o advogado paulista Fábio Andrés Fadiga, de 43 anos, que acabou de obter o EB2, destinado a profissionais muito qualificados, e que vai morar na Flórida. “Tentar obter o visto de residência exige muito mais preparação, planos e cuidado na busca de profissionais que ajudam nesse processo”.

Luciane Tavares, diretora jurídica do Visalex, escritório especializado baseado na Flórida, dá o exemplo do visto H1B, em que um empregador americano pede o visto para um funcionário. O governo americano eliminou a possibilidade de a empresa fazer vários pedidos simultâneos para a mesma pessoa, que elevavam a possibilidade de o pedido ser aceito por sorteio. Agora, só pode ser feito um pedido por candidato. Além disso, o governo pretende acabar com a autorização para que o cônjuge possa trabalhar, ampliando a pressão para que as empresas que querem trazer empregados de outros países paguem maiores salários, desestimulando a importação de mão de obra.

Nos vistos de transferência de executivos e de pessoas com notório saber, estão sendo exigidos mais documentos e novas entrevistas presenciais. O visto para quem pretende investir nos EUA, concedido para quem tem ao menos US$ 500 mil (R$ 1,95 milhão), deve ter esse piso aumentado em breve. Os vistos de estudantes estão mais burocráticos e caros.

Grupos vulneráveis

Pessoas que pretendem pedir asilo também sofrem restrições. Agora, além de a violência doméstica não ser aceita como razão para o refúgio, o governo americano inverteu a ordem de exame dos pedidos, e passou a analisar primeiro as últimas solicitações apresentadas. Desse modo, o pedido pode ser negado em um período curto, de um mês, por exemplo, enquanto antes o processo poderia demorar de três a cinco anos, período no qual os requerentes tinham autorização para ter vida normal nos Estados Unidos.

“Tudo o que é discricionário está mais rigoroso. Os EUA mudaram sua política, buscam apenas os profissionais mais qualificados possíveis, as pessoas mais dedicadas e, no caso de asilo, os casos mais graves”, afirmou Tavares. “Para obter um EB5, o visto de investidor, um processo hoje custa de US$ 18 mil a US$ 20 mil, sendo que antes saía por US$ 12 mil”.

Enquanto isso, imigrantes que viviam regularmente nos EUA, mas em uma situação menos segura, estão mais vulneráveis. A partir deste ano, em momentos diferentes segundo a nacionalidade, cerca de 310 mil salvadorenhos, haitianos e nicaraguenses perderão o chamado Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês), e a autorização para viver nos EUA. A medida afeta pessoas que deixaram seus países por causa da violência ou de desastres naturais e viviam há décadas no território americano. Apesar disso, o grupo pode ter dificuldades de obter greencard ou cidadania, e seus integrantes poderão ser deportados.

“O governo Trump está mudando a vida de milhares de pessoas que não têm mais relações com seus países de origem. Isso pode separar famílias. Não tenho dúvidas que muitos deles ficarão nos EUA como ilegais”, afirmou Michael Shifter, presidente do centro de estudos Inter-American Dialogue, acrescentando que o auge do problema deve ocorrer em setembro, quando vence o prazo para que 263 mil salvadorenhos se regularizem.

Outro grupo vulnerável ainda está legal apenas por decisões judiciais: os chamados sonhadores (dreamers), jovens que chegaram aos EUA menores de idade acompanhando pais sem documentos, mas que no governo de Barack Obama conseguiram, com um ato administrativo, o chamado DACA, permissão para viver nos EUA. Há mais de um ano Trump decidiu acabar com o programa, mas duas liminares garantem sua sobrevivência, que beneficia cerca de 700 mil pessoas, incluindo cerca de seis mil brasileiros.

Fonte: Redação - Brazilian Times