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Ativistas pressionam xerife da Flórida a encerrar parceria com ICE no Condado de Pinellas

O movimento, que utiliza o lema “ICE Out of Pinellas”, promove manifestações em frente ao Pinellas County Sheriff’s Office, em Largo.

Publicado em 09/17/26
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Ativistas pressionam xerife da Flórida a encerrar parceria com ICE no Condado de Pinellas

Da Redação

Ativistas no Condado de Pinellas, na Flórida, intensificaram a pressão para que o gabinete do xerife encerre sua participação no programa federal 287(g), que permite que policiais locais treinados desempenhem determinadas funções de fiscalização migratória em parceria com o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).

O movimento, que utiliza o lema “ICE Out of Pinellas”, promove manifestações em frente ao Pinellas County Sheriff’s Office, em Largo. Segundo informações divulgadas pelos próprios organizadores, o departamento treinou 47 agentes para trabalhar em cooperação com o ICE, enquanto outros 36 receberam treinamento como Warrant Service Officers, oficiais autorizados a executar determinadas ordens migratórias.

Os manifestantes exigem que o xerife Bob Gualtieri encerre o acordo 287(g) e defendem uma redução da participação das forças policiais locais na aplicação das leis federais de imigração. Os organizadores também questionam o impacto das detenções sobre famílias imigrantes e os recursos utilizados pelo condado.

A mobilização não começou agora. Em abril, quase 100 pessoas participaram de uma manifestação diante do gabinete do xerife durante o “Communities Not Cages Day of Action”. Na ocasião, participantes levantaram preocupações relacionadas ao devido processo legal, à separação de famílias e às condições enfrentadas por pessoas mantidas em centros de detenção migratória.

O programa 287(g), previsto na legislação federal de imigração, estabelece acordos entre o ICE e órgãos estaduais ou locais. Dependendo da modalidade adotada, agentes que recebem treinamento e credenciamento federal podem executar funções específicas relacionadas à fiscalização migratória. O Pinellas County Sheriff’s Office participa desse tipo de cooperação, inclusive no modelo que permite a agentes treinados cumprir mandados de imigração contra pessoas que já se encontram sob custódia.

A atuação do Condado de Pinellas também ganhou atenção após questionamentos sobre a permanência de imigrantes na cadeia local. Uma investigação da ProPublica identificou casos em que detentos foram retirados e novamente registrados na unidade. Posteriormente, o gabinete do xerife apresentou um memorando do ICE, datado de dezembro de 2025, informando que a cadeia havia sido redesignada para receber detentos da agência por períodos superiores a 72 horas devido ao aumento das operações.

Gualtieri, por sua vez, tem defendido uma participação ativa das forças policiais da Flórida na cooperação com as autoridades federais de imigração. Durante uma reunião estadual em junho, o xerife criticou departamentos que haviam aderido ao 287(g), mas ainda não utilizavam plenamente seus agentes credenciados. Dados apresentados na reunião indicavam que 272 das 394 agências analisadas na Flórida possuíam acordos do modelo Task Force, embora 109 delas ainda não tivessem realizado prisões por meio do programa.

A discussão em Pinellas ocorre em meio à expansão da participação das forças policiais da Flórida na fiscalização migratória. O estado adotou uma das estruturas de cooperação com o ICE mais amplas do país, incluindo milhares de agentes locais credenciados para exercer determinadas funções migratórias.

Enquanto o xerife sustenta que a cooperação faz parte das obrigações das autoridades locais e contribui para a aplicação das leis de imigração, os grupos que organizam os protestos argumentam que esse trabalho deveria permanecer sob responsabilidade das autoridades federais.

As manifestações mantêm o 287(g) no centro de uma disputa sobre até onde deve ir a participação da polícia local na fiscalização migratória. Em Pinellas, os ativistas afirmam que continuarão pressionando as autoridades pelo encerramento da parceria com o ICE.

Fonte: Brazilian Times

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