Estar legalmente nos Estados Unidos deixou de garantir a elegibilidade de determinados imigrantes ao Medicaid. Desde 1º de outubro de 2026, novas regras federais excluem do programa parte dos refugiados, pessoas com asilo concedido e outros grupos anteriormente protegidos.
A mudança integra a lei sancionada pelo presidente Donald Trump em julho de 2025 e atinge pessoas autorizadas a viver no país, incluindo vítimas de tráfico humano. Muitos desses imigrantes trabalham e pagam impostos.
Segundo levantamento da KFF Health News com dados estaduais, mais de 281 mil imigrantes em nove estados e em Washington, DC, foram identificados como sujeitos à perda da cobertura. Na Flórida, a estimativa chega a quase 177 mil. Os números representam pessoas potencialmente afetadas, não um balanço definitivo de cancelamentos.
A restrição por categoria migratória não exclui os titulares de green card, que continuam sujeitos aos demais critérios do programa. Também existem exceções para determinados grupos, incluindo crianças e gestantes em estados que adotam opções específicas de cobertura.
O governo defende que imigrantes devem se sustentar sem depender de programas públicos. Organizações de defesa dos imigrantes alertam, porém, que perder o Medicaid pode significar interromper tratamentos, adiar consultas e procurar atendimento apenas quando o problema se agravar.
O conjunto das mudanças no Medicaid prevê redução de aproximadamente US$ 911 bilhões nos gastos federais em dez anos, segundo análise da KFF baseada em estimativas do Congresso.
A controvérsia coloca uma pergunta no centro do debate: qual será o custo humano e financeiro de retirar a cobertura de pessoas que vivem legalmente no país?





