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Imigrantes iniciam greve de fome em centro de detenção do ICE no Texas contra detenções prolongadas

Grupo afirma estar sem alimentação desde 29 de setembro e protesta contra política que pode manter estrangeiros detidos sem possibilidade de fiança

Publicado em 10/10/26
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Imigrantes iniciam greve de fome em centro de detenção do ICE no Texas contra detenções prolongadas

Da Redação

Um grupo de imigrantes detidos no El Valle Detention Facility, em Raymondville, no sul do Texas, iniciou uma greve de fome em protesto contra o longo período de permanência sob custódia e contra a possibilidade de serem mantidos detidos por tempo indeterminado durante seus processos migratórios.

Segundo relatos de dois participantes e do advogado de um dos homens, 11 imigrantes — cinco homens iranianos, seis mulheres iranianas e um cidadão turco — estariam recusando alimentação desde 29 de setembro.

Entre os participantes está um cristão iraniano que pediu asilo nos Estados Unidos e um cidadão turco pertencente a uma minoria muçulmana que enfrenta perseguição.

A principal reivindicação do grupo é ser transferido para uma região fora da jurisdição do Tribunal Federal de Apelações do 5º Circuito, responsável por Texas, Louisiana e Mississippi.

A região tornou-se particularmente importante na disputa jurídica sobre a política de “detenção obrigatória” adotada pelo governo Trump, que tem resultado na manutenção de determinados imigrantes sob custódia sem possibilidade de obter libertação mediante fiança.

A controvérsia deverá chegar à Suprema Corte dos Estados Unidos, que analisará argumentos relacionados à política e aos limites da detenção de imigrantes.

Um dos participantes da greve é Alireza Fadaeieshkiki, iraniano que solicitou asilo depois de chegar à fronteira entre Estados Unidos e México no ano passado.

Segundo seu advogado e uma declaração apresentada no caso, Fadaeieshkiki afirma ter sido preso, espancado e perseguido no Irã por distribuir Bíblias, atuar como pastor e organizar reuniões cristãs clandestinas.

Em uma ligação realizada em 2 de outubro, ele afirmou temer pela própria vida e relatou que foi colocado em confinamento solitário depois de aderir à greve de fome.

Dias depois, por meio do sistema de mensagens da unidade, afirmou que os agentes continuavam levando comida em todas as refeições, mas que ele se recusava a comer.

“Eles trazem comida para mim em todas as refeições, mas eu não toco nela”, relatou. Segundo ele, naquele momento já estava havia sete dias consumindo apenas água.

O ICE não respondeu aos pedidos de informações feitos pelo The Marshall Project sobre a greve, incluindo questionamentos sobre as condições de saúde dos participantes e quais medidas estavam sendo adotadas diante da recusa de alimentação.

A Management and Training Corporation, empresa privada responsável pela administração da instalação, direcionou os questionamentos ao ICE.

 

Greves de fome aumentam em centros de detenção

A situação no Texas faz parte de uma série de protestos semelhantes registrados dentro de centros de detenção de imigrantes.

Segundo Setareh Ghandehari, diretora de advocacy da Detention Watch Network, pelo menos uma dúzia de greves de fome ocorreu em instalações utilizadas pelo ICE neste ano.

Em maio, dezenas de imigrantes detidos no Delaney Hall, em Newark, New Jersey, também participaram de uma greve de fome que ganhou repercussão pública.

Dados de uma pesquisa publicada no Journal of Forensic and Legal Medicine indicam que pelo menos 1.600 imigrantes detidos participaram de greves de fome em unidades do ICE entre 2015 e 2020.

Especialistas alertam que a recusa prolongada de alimentos pode causar consequências graves à saúde. Além dos riscos durante o período sem alimentação, a retomada da ingestão de alimentos depois de uma greve prolongada também exige acompanhamento médico devido à possibilidade de complicações.

Haddy Gassama, integrante da ACLU, afirmou ainda que muitos desses protestos podem não chegar ao conhecimento público. Segundo ela, participantes de greves de fome podem ser isolados ou transferidos para instalações localizadas em outras regiões.

Enquanto isso, a discussão sobre a possibilidade de manter determinados imigrantes detidos sem audiência de fiança continua avançando nos tribunais federais e deverá ser analisada pela Suprema Corte, em um julgamento que poderá ter consequências para milhares de pessoas atualmente sob custódia migratória nos Estados Unidos.

Fonte: Brazilian Times

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