O governo do presidente Donald Trump reservou pelo menos US$ 410 milhões para acordos destinados a receber imigrantes deportados dos Estados Unidos em países diferentes de suas nações de origem, segundo uma investigação internacional divulgada nesta semana.
O levantamento, coordenado pela organização Forbidden Stories e realizado com a participação de veículos de comunicação de vários países, identificou entendimentos envolvendo 35 nações. Em muitos casos, os imigrantes enviados para esses destinos não possuem vínculos anteriores com os países que os recebem.
Os dados reunidos pela investigação mostram que pelo menos 25.447 pessoas haviam sido deportadas para terceiros países até 31 de agosto de 2026. Aproximadamente 20 mil foram encaminhadas ao México. As demais foram distribuídas por outros países da América Latina, África e região do Pacífico.
Os US$ 410 milhões identificados no levantamento incluem recursos destinados diretamente a governos estrangeiros e valores direcionados a organizações e agências internacionais envolvidas na execução dos acordos. Documentos analisados pelo Washington Post também apontam que centenas de milhões de dólares foram autorizados ou prometidos para viabilizar essas parcerias.
As regras não são iguais para todos os países. Alguns acordos estabelecem limites para o número de pessoas recebidas, determinam nacionalidades específicas ou estabelecem critérios relacionados a antecedentes criminais.
A estratégia de deportação para terceiros países ganhou espaço desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025. Segundo a investigação, uma divisão do Departamento de Estado criada naquele ano, chamada Office of Remigration, passou a desempenhar papel central nas negociações e nos pagamentos relacionados aos acordos.
A política também enfrenta disputas judiciais. Em setembro, um tribunal federal de apelações manteve uma decisão que considerou ilegal o procedimento de deportação rápida para terceiros países quando o imigrante não recebe oportunidade adequada para apresentar preocupações relacionadas à sua segurança no destino. O governo contesta essa interpretação.
A Casa Branca afirmou ao Washington Post que as transferências para terceiros países atingem pessoas cujos governos de origem não aceitam seu retorno, incluindo indivíduos com ordens de remoção que pediram para não ser enviados aos seus países.





