Autoridades federais anunciaram nesta quarta-feira (21) acusações contra seis pessoas por suposto envolvimento em um esquema de casamentos de fachada destinado à obtenção ilegal de benefícios imigratórios nos Estados Unidos. Segundo a procuradora federal de Massachusetts, Leah Foley, a operação teria gerado aproximadamente US$ 6 milhões ao longo de mais de uma década.
Jennifer Gonzalez, de 43 anos, moradora de Fall River, é apontada pela investigação como a suposta líder. Ela e outras quatro acusadas foram presas na manhã de quarta-feira. O sexto acusado, Jaylin Hill, de 26 anos, já estava sob custódia estadual, cumprindo pena por um crime relacionado a arma de fogo.
Até 20 casamentos por ano
Conforme os documentos judiciais, o grupo teria atuado por aproximadamente 12 anos, organizando uma média de 18 a 20 casamentos fraudulentos anualmente. Gonzalez supostamente cobrava entre US$ 38 mil e US$ 40 mil de cada cliente interessado em obter documentação imigratória por meio de casamento com um cidadão americano.
A investigação afirma que ela relatou a uma testemunha que colaborava com as autoridades que sua organização havia ajudado centenas de pessoas a conseguir green cards em Massachusetts. Os investigadores também apontam que Gonzalez teria utilizado recursos da operação para adquirir propriedades e outros bens na República Dominicana.
Quem são os acusados
Além de Gonzalez e Hill, foram acusadas Erica Daniels, de 29 anos; Chreise Alejandro, de 39; Amara Pugh, de 31; e Jessica Tavares, também de 31. Tavares mora em Attleboro, enquanto os demais residem em Fall River.
Segundo a acusação, Gonzalez pagava participantes americanos para se casarem com clientes estrangeiros. Pugh teria desempenhado a função de secretária da operação.
Os seis respondem a acusações de conspiração para abrigar imigrantes em situação irregular, abrigar imigrantes em situação irregular, conspiração para cometer fraude matrimonial e fraude matrimonial.
Gravações integram a investigação
Os documentos judiciais descrevem encontros gravados entre Gonzalez e uma testemunha que se apresentava como possível cliente. Em uma dessas reuniões, realizada em agosto de 2026, os investigadores registraram conversas sobre os preparativos para um suposto casamento fraudulento e o pagamento pelos serviços.
Segundo a investigação, Gonzalez também foi gravada fazendo comentários sobre o apoio oferecido a imigrantes em Massachusetts e classificando o estado como um local favorável para viver. Essas declarações integram o material reunido pelas autoridades para fundamentar as acusações.
Benefícios alimentares também são questionados
Os promotores também alegam irregularidades em solicitações ao SNAP, programa de assistência alimentar. Segundo as autoridades, Gonzalez teria recebido benefícios sem informar a renda proveniente do suposto esquema. A acusação aponta que ela gastou mais de US$ 120 mil recebidos pelo programa enquanto conduzia a operação e adquiria propriedades no exterior.
A investigação permanece em andamento. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e todos os envolvidos são presumidos inocentes até que sua culpa seja comprovada em tribunal.





