Departamentos de polícia e outras agências locais de New Hampshire tiveram participação significativa no aumento das prisões de imigrantes registrado no estado durante o verão de 2026. Dados federais obtidos por meio de pedidos de acesso a registros públicos pelo Deportation Data Project mostram que quase metade das 198 pessoas detidas entre maio e julho foi presa por autoridades locais.
Desde o início do segundo governo de Donald Trump, mais de 700 pessoas foram detidas por questões migratórias em New Hampshire.
Parte importante dessas prisões está relacionada ao programa 287(g), que permite que departamentos de polícia e outras agências locais estabeleçam acordos com o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Por meio dessas parcerias, policiais locais podem receber autorização para exercer determinadas funções migratórias, incluindo o cumprimento de mandados e a detenção de pessoas suspeitas de permanecerem no país sem autorização.
Desde setembro de 2025, agências locais de New Hampshire prenderam 172 pessoas por meio do programa 287(g). O número supera, no período analisado, as prisões realizadas diretamente pelo ICE e as transferências provenientes de unidades correcionais, muitas delas relacionadas ao Criminal Alien Program.
A maior concentração das prisões está na metade sul de New Hampshire, principalmente por meio do escritório do ICE localizado no centro de Manchester. Outros casos aparecem com frequência em regiões que possuem cadeias de condado ou departamentos participantes do 287(g).
Os condados de Hillsborough e Rockingham, por exemplo, possuem acordos com o ICE por meio dos respectivos escritórios dos xerifes.
A governadora Kelly Ayotte, xerifes e alguns chefes de polícia têm defendido essas parcerias sob o argumento de que os programas são utilizados para retirar criminosos perigosos das ruas. A cooperação também conta com apoio de republicanos na legislatura estadual.
No ano passado, Ayotte sancionou duas leis que impedem municípios de proibir seus departamentos de polícia de cooperar com autoridades federais de imigração.
Brasileiros aparecem entre nacionalidades com mais prisões
Os dados também mostram a diversidade de nacionalidades atingidas pelas operações. Ao longo do último ano, o ICE prendeu em New Hampshire pessoas provenientes de 48 países, com predominância de imigrantes latino-americanos.
Cidadãos do Equador, República Dominicana, Brasil, México e Honduras representaram, juntos, dois terços das prisões.
Os números revelam ainda um perfil demográfico predominante entre os detidos durante o segundo governo Trump. Homens latinos na faixa dos 20 e 30 anos corresponderam a 58% das pessoas presas.
As operações também resultaram na detenção de menores de idade. Sete menores foram presos e mantidos sob custódia em New Hampshire, entre eles uma criança equatoriana de 4 anos detida em Manchester em julho.
Os dados aparecem em meio a acusações de organizações de direitos civis de que operações migratórias estariam envolvendo perfilamento racial.
Média de 49 dias sob custódia
O governo Trump também tem incentivado as chamadas partidas voluntárias de imigrantes em todo o país. Entre as pessoas presas em New Hampshire, 119 foram incluídas nessa modalidade.
Em média, os detidos permanecem 49 dias sob custódia antes de deixarem os Estados Unidos ou serem liberados.
O número de prisões aumentou significativamente em junho de 2026, acompanhando uma intensificação nacional das ações de fiscalização migratória. O total registrado naquele mês chegou perto do recorde observado em janeiro de 2023, durante o governo de Joe Biden.
Os dados, entretanto, apontam uma diferença no perfil criminal das pessoas detidas nos dois períodos.
Durante o segundo governo Trump, aproximadamente um terço dos imigrantes presos pelo ICE em New Hampshire possuía condenação criminal. Em um período comparável no final da administração Biden, cerca de dois terços dos detidos tinham condenações.
Os números mostram que, além do aumento da atuação federal, as parcerias entre o ICE e as forças policiais locais passaram a ocupar papel importante na fiscalização migratória em New Hampshire, especialmente por meio da expansão dos acordos do programa 287(g).





