Publicado em 28/03/2008 as 12:00am

Turista brasileira teve socorro médico negado na capital britânica e não resistiu

A família da brasileira Wanessa Marques, 23 anos, acusa o sistema de saúde da capital do Reino Unido de negligência no atendimento à jovem em uma crise de trombose, problema que teria causado sua morte.

A família da brasileira Wanessa Marques, 23 anos, acusa o sistema de saúde da capital do Reino Unido de negligência no atendimento à jovem em uma crise de trombose, problema que teria causado sua morte. Três dias após chegar a Londres como turista, com dores na perna, a goiana Wanessa teve socorro médico inicial negado na rede pública e morreu em um hospital pouco mais de um mês depois.
"É inevitável pensar que se ela tivesse sido atendida pelo clínico-geral, talvez a sua vida tivesse sido poupada", disse à rede BBC Brasil Vânia da Conceição Borges, mãe da brasileira. "Eles não poderiam jamais ter negado atendimento. Independentemente de ter o documento ou não, ela era um ser humano", observou ela.
O Ministério da Saúde britânico informou que a lei permite que clínicos-gerais do sistema público de saúde atendam gratuitamente turistas, mas não há obrigação. "Se optarem por não prestar atendimento gratuito, devem, pelo menos, oferecer ao paciente a possibilidade de pagar pelo tratamento", ressalvou o ministério.
Wanessa foi ao médico com sua prima, Suzi Farias. Segundo ela, a clínica alegou que Wanessa não era residente. "Ela (a recepcionista) não só negou atendimento, como também disse não saber onde ela poderia receber assistência. Fiquei tão indignada que perguntei: 'Se alguém chega aqui morrendo vocês não atendem?' Ela me respondeu que não".
Susi cuidou da prima por duas semanas, com pomadas e remédios. Ao ver a moça abatida e aconselhada por sua mãe, resolveu levá-la ao hospital: "Mas, antes de eu chamar a ambulância, ela teve o primeiro ataque cardíaco". Wanessa recebeu marcapasso, mas sofreu outros dois ataques. Em coma por 20 dias, ela morreu em 20 de julho e foi enterrada em Londres, onde, como escreveu em seu diário, "seria o seu ponto final". O funeral foi pago com doações da comunidade brasileira.

Fonte: (G1)