Publicado em 3/10/2008 as 12:00am

Senado aprova plano de socorro ao mercado financeiro

Decisão coloca pressão sobre deputados que votaram contra o pacote de 700 bilhões de dólares. Com 74 votos favoráveis (e 25 contrários), o Senado americano aprovou uma versão atualizada do pacote de socorro às instituições financeiras.

Com 74 votos favoráveis (e 25 contrários), o Senado americano aprovou uma versão atualizada do pacote de socorro às instituições financeiras. Antes mesmo da votação, líderes dos dois partidos estavam otimistas quanto ao sucesso da iniciativa, já que muitas medidas foram incluídas no texto final do projeto, exatamente para atrair o apoio dos eleitores do país. A expectativa agora fica pela nova votação do pacote na Câmara, que deve acontecer na sexta-feira, dia 3 de outubro. Uma coisa é certa: muitos dos 228 representantes (deputados) que se opuseram ao plano na última segunda-feira já anunciaram que podem alterar seu voto.

Os candidatos à presidência dos Estados Unidos estavam no Senado durante a votação. O republicano John McCain disse que o projeto de resgate de Wall Street modificado era "um passo decisivo na direção correta", e advertiu que, se o Senado não aprovasse o texto, os problemas financeiros do país seriam muito maiores. Já o democrata Barack Obama ressaltou que seria crucial a aprovação do pacote de 700 bilhões de dólares para evitar um colapso econômico. “A hora para agir é agora. Temos que prevenir que uma crise se torne uma catástrofe", disse Obama.

A primeira mudança no novo plano em relação ao primeiro é a majoração do valor dos depósitos garantidos - de 100 mil dólares para 250 mil dólares. O objetivo é aumentar a confiança na solidez dos bancos americanos, que ficariam menos expostos ao risco de uma "corrida" de correntistas – como o que aconteceu com o Washington Mutual nos últimos meses.

Para que este limite de garantia seja ampliado, o projeto de socorro aos mercados financeiros do Senado dos EUA vai permitir temporariamente que a agência federal que garante os depósitos bancários norte-americanos, a FDIC (Federal Deposit Insurance Corp), tome empréstimos sem limites de valor do Departamento do Tesouro, informou o The Wall Street Journal. Isto é importante porque vai aumentar amplamente o poder da FDIC para garantir que os depositantes possam ter seu dinheiro de volta se seus bancos falirem.

Outra medida é a ampliação do prazo para a "marcação a mercado". Isso significa que os gestores de investimentos teriam mais tempo para ajustar o valor dos ativos que compõem a carteira de aplicações. Desta forma, a forte oscilação que tem tomado conta dos mercados seria amenizada no resultado diário das aplicações, o que também tem o objetivo de diminuir a desconfiança dos americanos em relação aos seus investimentos, evitando a corrida aos bancos.

O plano que foi a votação no Senado trouxe ainda uma proposta de benefício aos desempregados. Os líderes dos dois partidos americanos ainda prometeram acrescentar ao pacote um projeto de corte de impostos. Como o otimismo em relação ao pacote é bem maior no Senado, acredita-se que a decisão de votar antes na alta câmara do Congresso foi uma forma de colocar pressão sobre os deputados da Câmara dos Representantes, para que eles mudem seus votos.

Fonte: (acheiUSA)