Publicado em 25/12/2008 as 12:00am

Premier de Guiné e ministros se rendem a militares golpistas

O primeiro-ministro de Guiné, Ahmed Tidiane Souaré, e vários ministros do governo se entregaram à junta militar que, na terça-feira à noite, deu um golpe de Estado após a morte do presidente do país, Lansana Conté.

O primeiro-ministro de Guiné, Ahmed Tidiane Souaré, e vários ministros do governo se entregaram à junta militar que, na terça-feira à noite, deu um golpe de Estado após a morte do presidente do país, Lansana Conté.

Souaré permanecia em paradeiro desconhecido desde a madrugada de quarta (24), mas manteve contato por telefone com a imprensa e, após afirmar que o governo mantinha o controle do país, pediu à comunidade internacional para que interviesse e evitasse que a tentativa militar fosse bem-sucedida.

O capitão Moussa Dadis Camara, presidente do Conselho Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento (CNDD), como se auto-denomina a junta militar, ordenou, durante a noite de 24 de dezembro, que o premier se apresentasse junto com seu gabinete na base militar de Alpha Yaya Diallo, na capital da Guiné, Conacri. No local, os golpistas instalaram seu quartel-general.

Camara, que foi eleito por sorteio pelos companheiros para liderar o governo militar da Guiné, tinha dado 24 horas de prazo para que as autoridades constitucionais se rendessem e advertiu de que se estas não atendessem às exigências do CNDD, seriam "perseguidas". Várias autoridades militares que não aderiram ao golpe, mas também não ofereceram resistência em defesa do governo, foram ao quartel para, aparentemente, se render aos golpistas.

Até o momento do golpe, ele era encarregado da divisão de combustíveis dentro do corpo de abastecimento do Exército guineano. Camara atuou primeiro como porta-voz do CNDD, composto de 32 membros, entre os quais figuram 6 civis e 26 militares, incluindo um general e nove coronéis, além de vários tenentes-coronéis.

Após ser eleito líder da junta, Camara, de pé sobre um veículo militar e envolvido em uma bandeira guineana, percorreu na quarta à tarde as ruas de Conacri para ir até o palácio governamental e, no caminho, foi aclamado por milhares de guineanos, que qualificavam de "despótico" o regime anterior do país.

                Lansana Conte, ex-presidente, faleceu na segunda (22), depois de uma longa enfermidade e 24 anos no poder. Sua morte cobriu de fumaça o regime da Guiné, um dos maiores exportadores de bauxita do Mundo.

Fonte: (G1)