Publicado em 6/01/2009 as 12:00am

Brasileiro descreve rotina em cidade israelense alvo de mísseis do Hamas

Yair Mau, 26, que vive em Israel há quatro anos e tem dupla cidadania --brasileira e israelense

=Yair Mau, 26, que vive em Israel há quatro anos e tem dupla cidadania --brasileira e israelense--, descreve sua rotina após Beer Sheva, cidade para onde se mudou há dois meses, ter se tornado alvo de mísseis do grupo islâmico radical Hamas.

 Segundo a BBC Brasil, o Escritório de Representação do Brasil em Ramallah, na Cisjordânia, não consegue fazer contato com nenhuma das três famílias brasileiras que moram na faixa desde a manhã desta segunda-feira (5). Devido ao corte de energia feito por Israel, moradores que vinham se comunicando por celular não conseguem mais carregar seus aparelhos.

Yair Mau, estudante de mestrado em física na Universidade de Beer Sheva, conta que na noite de 30 de dezembro um míssil Grad (projétil russo de longo alcance) do Hamas conseguiu atingir a cidade, que fica a 40 km da faixa de Gaza. "Às nove da noite um míssil acertou em cheio um jardim de infância, e aí se decidiu cancelar as aulas". Na manhã seguinte outra escola foi atingida."Se tivesse tido aula, muitas crianças estariam feridas".

"A nossa rotina aqui é basicamente ficar em casa e escutar as orientações das autoridades". Cada vez que um míssil é lançado a Beer Sheva pelo Hamas, Yair Mau tem que correr para um bunker, compartimento de segurança com paredes e portas reforçadas, resistentes a mísseis. "A gente tem 45 segundos para se proteger".

Ele conta que a cidade está "vazia" e que as pessoas saem apenas quando é necessário, como para comprar comida. "As lojas, os negócios, estão fechados".

"É uma tensão constante você ter, o dia inteiro, que prestar atenção pra ver se vai tocar uma sirene". Yair Mau disse que atividades básicas, como tomar banho, se tornam "uma operação".

Em outras cidades, com Ashkelon, onde vive a avó da namorada de Yair Mau, a proximidade com a faixa de Gaza faz com que a população tenha apenas 20 segundos para se refugiar.

O brasileiro disse que, por enquanto, não pensa em sair de Beer Sheva, mas se for necessário, passará uns tempo no centro do país. "Eu espero que o Exército faça o que tem que fazer, e que acabe logo. A gente espera pelo pelo bem".

Os bombardeios israelenses contra alvos do Hamas entraram nesta terça-feira em seu 11º dia consecutivo, com um saldo total de mais de 550 mortos e cerca de 2.500 feridos.

 

Fonte: (Folha Online)