Publicado em 13/04/2009 as 12:00am

Brasileiro pode ser extraditado do Chade ainda esta semana

O legionário brasileiro acusado de matar quatro pessoas no Chade, detido atualmente em uma delegacia no leste do país

 

O legionário brasileiro acusado de matar quatro pessoas no Chade, detido atualmente em uma delegacia no leste do país, "poderá ser entregue à força europeia que atua no Chade, a Eufor, no início da próxima semana" para ser transferido à França, disse o comandante Hamid Wardogou Dry, chefe da delegacia da polícia militar em Abéché, onde o soldado Josafá de Moura Pereira está detido desde a última quinta-feira. O Exército francês estima que após ser entregue à Eufor no Chade, a transferência do brasileiro para a França deverá ocorrer rapidamente.

Segundo o comandante, as autoridades do Chade "aguardam que a França assuma o compromisso de indenizar a família do camponês chadiano", morto durante a fuga do legionário brasileiro. "Nós vamos entregá-lo à Eufor sem problemas. Só aguardamos que a França assuma a indenização da família do camponês", afirmou Wardogou Dry. De acordo com ele, "um comitê de parentes do camponês chadiano está reunido para determinar o valor da indenização que a França deverá pagar à família" como compensação pela morte. "Aguardamos que a família decida o valor da indenização. Ela vai tentar encontrar uma solução ao problema. Nenhum montante foi fixado ainda", disse o comandante.


Acordo internacional

A possibilidade de o brasileiro não ser julgado pela Justiça do Chade pelos crimes ocorridos no país pode ser explicada pelo fato de que há um acordo, segundo o Exército francês, entre a União Europeia e o Chade sobre o estatuto das tropas que atuam no país. O acordo prevê que são os tribunais do país da nacionalidade do soldado que têm prioridade para julgar as ações. O Exército francês afirma que o brasileiro estava servindo sob a bandeira da França e que, por essa razão, ele é considerado francês. Além do camponês chadiano, Pereira é acusado de ter matado, na terça-feira, dois legionários, de origem romena e da Guiné, e um soldado togolês, que atuava na missão da ONU no Chade. O comandante Wardogou Dry afirmou que o legionário brasileiro continua sendo interrogado na delegacia em Abéché.


Loucura

O militar chadiano não quis se pronunciar sobre os comentários do brasileiro feitos no interrogatório em relação às mortes dos três soldados, mas afirmou que Pereira teria matado o camponês chadiano porque "ele se recusou a vender seu cavalo e seu turbante e ainda tentou barrar o seu caminho". O Exército francês avalia que os assassinatos são devidos "a um acesso de loucura" do soldado.

Na única entrevista concedida até o momento, ao jornalista Gamarga Bakoumi, do jornal chadiano Le Progrès, o soldado brasileiro teria explicado seus crimes alegando "estar cansado da provocação constante dos dois legionários que ele matou". Segundo o jornal, Pereira afirmou "nunca ter visto antes o soldado togolês" da missão da ONU, a Minurcat, que também foi assassinado. O jornal conta ainda que o brasileiro, após os crimes, escondeu seu fuzil e decidiu voltar a Abéché, "disfarçado" com roupas de civil.

Josafá foi acusado de matar quatro pessoas no Chade , mas não acusou problemas psicológicos durante exames realizados antes de ele ser enviado em missão ao país africano mês passado. Segundo Christophe Prazuck, porta-voz do Estado-Maior do Exército francês, o soldado brasileiro teve sua situação estudada com "atenção especial" pelo comando de seu regimento devido ao fato de ele ter desertado, ano passado, de uma missão em Djibuti, leste da África. "Ele sofreu sanções por essa fuga e, logo após seu retorno à França, recebeu acompanhamento médico e realizou sucessivos exames psicológicos", afirma o porta-voz.

Fonte: (Da redação)