Publicado em 22/05/2009 as 12:00am

Organização Mundial da Saúde prevê mais casos graves e com mortes da gripe

Países do Hemisfério Sul devem ser os mais afetados pelo vírus H1N1. Diretora-geral voltou a descartar elevar o nível de alerta pandêmico.


A diretora-chefe da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, disse nesta sexta-feira (22) que os países devem ficar preparados para casos mais sérios de contaminação com o vírus da nova gripe, com mais mortes.

"Em casos onde o vírus H1N1 está espalhado e circulando na comunidade em geral, os países devem esperar registrar mais casos de infecções severas e fatais", disse ela em Genebra.

Chan também disse que os países pobres do Hemisfério Sul serão os mais afetados.

"O inverno atual (no Hemisfério Sul) dá aos vírus da gripe uma oportunidade de se misturar e de intercambiar seu material genético de maneira imprevisível", disse. 
 

Chan disse que os países em desenvolvimento precisam agir rapidamente para melhorar o monitoramento do vírus, que tem causado principalmente sintomas brandos na maioria dos pacientes até agora, mas que pode causar efeitos mais sérios enquanto se espalha.

"Este é um vírus sutil e sorrateiro", disse Chan. "Nós temos indícios, muitos indícios, mas poucas conclusões sólidas."

Ela também realçou que há uma pequena diferença real entre o atual nível de alerta de pandemia da OMS (5) e o mais alto (6), em relação à prontidão em que as medidas são tomadas, e disse que poderia consultar especialistas antes de decidir aumentar novamente o alerta.

"A decisão de declarar uma pandemia de gripe é uma responsabilidade e um dever que eu tenho levado muito, muito a sério", afirmou. "Eu considerarei todas as informações científicas disponíveis. Serei aconselhada pelo comitê de emergência", disse Chan.

Chan tem sido pressionada a avaliar a severidade da nova doença descoberta, assim como sua expansão geográfica, antes de declarar o nível de alerta de pandemia, que muitas autoridades disseram que, se elevado, poderia provocar um pânico desnecessário.

Os procedimentos da OMS definem uma pandemia baseados somentes pela amostra de expansão, e não pelos sintomas que o vírus pode causar. Seguindo estas regras, Chan poderia precisar aumentar o nível de alerta para a fase 6 assim que o vírus H1N1 mostrar sua expansão de forma sustentável em somente um país fora da América do Norte.

O vírus, que é carregado pelo ar como uma gripe comum, ainda está surgindo em novos países diariamente.

Nesta sexta-feira, a OMS disse que está realizando testes em dois casos suspeitos no Congo, que seriam os primeiros da gripe na África. A Rússia também confirmou seu primeiro caso da doença nesta sexta. 


11.168 casos

O número de casos de contaminados pela nova gripe atingia 11.168 às 6 GMT (3h de Brasília) desta sexta-feira (22), segundo o balanço diário da OMS. Foram registradas 86 mortes.

A doença atinge 42 países, segundo a agência.

O México, país em que surgiu a epidemia, tem 3.892 casos, com 75 mortes. Nos EUA, há 5.764 casos e 9 mortes. O Canadá tem 719 casos e uma morte. Na Costa Rica, há 20 contaminados e um morto.

Fonte: (G1)