Publicado em 29/07/2009 as 12:00am

EUA querem treinar a população contra ameaça terrorista, diz secretária

Janet Napolitano quer trocar 'medo constante' por 'preparação'. País continua sob risco de ataques, diz titular da Segurança Interna.


Os Estados Unidos vão mudar de estratégia antiterrorista para adaptá-la às novas ameaças, com uma preparação maior de seus cidadãos, anunciou nesta quarta-feira (29) a secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano.

"Temos que alcançar um estado de preparação constante, não viver num estado de medo constante", explicou Napolitano, em uma crítica implícita à política empregada pelo governo anterior do republicano George W. Bush.

"A ameaça terrorista contra os Estados Unidos é persistente e evolutiva", assegurou Napolitano em um discurso pronunciado em Nova York, ante o Conselho de Relações Exteriores, onde explicou a nova estratégia.


Napolitano apresentou a realidade de um mundo diferente do de 2001, quando os Estados Unidos sob a presidência Bush sofreram o pior ataque de sua história em seu próprio território e reagiu lançando a "guerra contra o terrorismo".


"Os terroristas hoje estão num mundo web 2.0. Precisamos de mais tecnologia, mas também precisamos repensar as coisas", enfatizou Napolitano, citando o exemplo dos recentes atentados de Mumbai, onde foram usados equipamentos GPS, telefones por satélite, o Google Earth e a televisão a cabo.


No entanto, em outra referência implícita à era Bush, advertiu: "Um enfoque sensato para manter os Estados Unidos seguros deve se basear nos valores que definem nossa nação".


"São valores que nos levaram a combater e a vencer em duas guerras mundiais, e que ficaram em evidência nos sombrios dias posteriores aos ataques de 11 de Setembro. Temos que voltar a adotá-los", afirmou.


Segundo Napolitano, uma resposta coletiva é a melhor forma para que os Estados Unidos "protejam seu território e permaneçam fiel a seus valores", tornando a população participante.


"As consequências de viver num estado de medo ao invés ao invés de um estado de preparação são enormes", insistiu.


A secretária disse ainda que uma equipe recém-nomeada examina a possibilidade de reformar o atual sistema de alerta codificado em cores.


Os quatro pilares da nova estratégia são: a cooperação com os aliados internacionais, a aplicação de todos os poderes do Estado federal, a vigilância policial e o uso da colaboração da população civil.


"Necessitamos de uma cultura de responsabilidade coletiva, uma cultura onde cada indivíduo compreenda qual é seu papel", explicou, citando casos recentes de iniciativas individuais que ajudaram a desmantelar as ameaças de terrorismo interno em Nova Jersey, Pensilvânia e Carolina do Norte.


A nova ameaça terrorista, segundo a chefe de Segurança Interna do presidente Barack Obama, é "assimétrica porque recorre a uma violência privatizada" e não vinculada a um Estado soberano.


"A ameaça nuclear ou radiológica nos preocupa altamente, e reduzir essa ameaça é uma prioridade. Mas também devemos estar preparados para as ameaças biológicas e químicas que a al-Qaeda buscou durante durante anos", enfatizou em referência à rede fundamentalista de Osama bin Laden.


Napolitano indicou, além disso, que os Estados Unidos querem que suas fronteiras físicas sejam "a última linha de defensa e e não a primeira".


Por isso, Washington "está negociando acordos com seus aliados europeus e de outras partes do mundo para compartilhar informações sobre os viajantes aéreos antes de que viajem, recolher informações biométricas cruciais para saber quem está em nosso país e escanear a bagagem e a carga", explicou.


Também mencionou a prioridade de proteger a fronteira terrestre com o México "ajudando esse país a fortalecer seu próprio sistema policial e de inteligência".

Fonte: (G1)