Publicado em 25/11/2009 as 12:00am

Reforma da Saúde avança no Senado

O Senado aprovou no sábado, por 60 votos a 39, abrir o caminho para as discussões sobre um projeto histórico na reforma do sistema de saúde pública nos EUA

 

O Senado aprovou no sábado, por 60 votos a 39, abrir o caminho para as discussões sobre um projeto histórico na reforma do sistema de saúde pública nos EUA , apesar de vários democratas moderados relutantes enviarem sinais claros de que o futuro dessa iniciativa não é muito seguro.

A votação do sábado permitiu o contorno de uma manobra republicana para a obstrução do projeto, a fim de iniciarem a discussão formal das 2,074 páginas patrocinada pelos senadores democratas, cujo custo total está por volta dos US$ 850 milhões.

Os democratas controlam 60 das 100 cadeiras do Senado e todos votaram para prosseguir com o projeto de lei, enquanto 39 dos 40 republicanos votaram contra. George Voinovich, R-Ohio, não votou, enquanto as senadoras democratas Mary Landrieu, da Louisiana e Blanche Lincoln, de Arkansas, concordaram em votar com a maioria do partido.

Como outros democratas centristas que votaram a favor de submeter a questão ao debate, Mary e Blanche olham o projeto com certa frieza e acreditam que sua aprovação não está certa.

"Deixe-me ser bem clara'', disse Blanche no plenário do Senado."Eu não vou votar a favor da proposta apresentada pelo Senador Harry Reid, do jeito que se encontra escrita.''

Mary Landrieu expressou idéia semelhante: "Meu voto, hoje, para prosseguir com essa discussão importante, não deve ser interpretado de forma alguma como um sinal de que eu votarei positivamente quando terminemos o debate".

Landrieu disse que apóia o processo e que ele deve avançar, porque "eu decidi que existem garantias suficientes para esse avanço, mas ainda falta muito a ser feito.'' Ela ainda enfatizou que sua votação não foi motivada pela inclusão no projeto de uma disposição que atribui cerca de US $ 300 milhões em ajuda para o Medicaid em seu estado.

A senadora da Louisiana mencionou a controvérsia em seu discurso. "Estou orgulhosa de ter pedido o dinheiro. Tenho orgulho de ter lutado por isso e vou continuar lutando. Mas não é por essa razão que desejo continuar com o debate''.

O projeto de lei, apresentado na quarta-feira por Reid e outros líderes democratas, proíbe as companhias de seguros de negar cobertura a pessoas com quaisquer doenças, estabelece normas de seguros nas quais os consumidores possam escolher a cobertura e cria um plano de seguro de saúde através do governo, a chamada escolha pública. Os Estados-Membros podem decidir se integram o plano ou não.

Mary e Blanche não foram os únicos democratas a expressarem sérias reservas sobre vários aspectos do projeto. O Senador Ben Nelson, do Nebraska, também democrata, questionou o custo do projeto, enquanto Mary Landrieu disse que queria mais isenções fiscais para pequenas empresas.

Blanche Lincoln também disse que está preocupada com o custo do projeto. "Acho que devemos trabalhar para assegurar que não vamos expor os contribuintes e o Tesouro Nacional a um risco de longo prazo", disse ela.

Agora que o Senado abriu o caminho, espera-se que comece a considerar o projeto de reforma da saúde durante a semana de 30 de novembro. O debate do sábado foi essencialmente uma previsão do curto prazo e demonstrou como os partidos estão divididos sobre as questões.

 

"O país sofre quando não são tomadas medidas sérias para enfrentar os graves desafios de milhões de americanos,'' disse o presidente do Comitê Judiciário do Senado, Patrick Leahy, democrata de Vermont." Estamos em um momento decisivo para o Senado e para o país''.

 

Os republicanos também se manifestaram:  "Não se iludam, o plano democrata que votamos hoje vai tornar a vida difícil para a maioria dos americanos,'' disse o líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, do Kentucky.

 

"Os impostos serão aumentados, assim como o custo do seguro de saúde. O Medicare ficará reduzido. E fará com que milhões de pessoas saiam do seguro de saúde privado que possuem no momento, por total falta de recursos''.

Fonte: (Phydias Barbosa, da ABTN)