Publicado em 14/08/2011 as 12:00am

Chávez busca fazer de sua luta contra o câncer um drama nacional, diz especialista

A informação de que o presidente Hugo Chávez está com câncer, cujo tumor já foi retirado, surgiu um ano antes das eleições presidenciais na Venezuela. O anúncio fez o líder venezuelano passar a fazer declarações mais frequentes sobre sua luta contra a doe

A informação de que o presidente Hugo Chávez está com câncer, cujo tumor já foi retirado, surgiu um ano antes das eleições presidenciais na Venezuela. O anúncio fez o líder venezuelano passar a fazer declarações mais frequentes sobre sua luta contra a doença, com frases de otimismo e motivação. Para Gilberto Maringoni, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e doutor em História pela USP, Chávez busca fazer de seu drama pessoal um drama nacional.

"É claro que ele procura tirar saldo político. Ele discursa como se o país inteiro estivesse enfrentando uma doença muito grave. Suas frases começam por 'nós temos uma batalha', 'nós vamos vencer'. Ele encarna a doença não só em sua personalidade, mas na do país. Isso qualquer liderança política faria, não é porque é o Chávez", acredita.

A falta de informações sobre o câncer do presidente faz com que a situação seja muito "movediça", segundo Maringoni. "Chávez precisa sempre assegurar que está presente, para se legitimar no poder."

Tullo Vigevani, professor de Ciência Política da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ressalta que uma situação deste tipo pode funcionar, no campo político, tanto como um “catalisador de apoio” quanto um “fator de desestabilização”. “A popularidade de Chávez é alta neste momento, portanto as chances de enfraquecimento do sistema de poder são pequenas.”

Em declarações à agência de notícias Ansa, Miguel Angel Rodríguez, deputado da oposição venezuelana, afirmou que o presidente usa seus problemas de saúde para se impor na campanha eleitoral e invocar solidariedade [clique aqui e leia mais]. “Chávez faz culto à personalidade com seu discurso contraditório sobre o que tem e o que aparenta ter, sem apresentar um médico ou porta-voz que o atenda”, disse.

Ele também criticou o fato de o mandatário fazer tratamento em Cuba e sua vontade de permanecer no poder. “Se Chávez enfrenta um câncer deveria se sentir em paz, fora das pressões que implica o governo.”

Lacuna no poder

De acordo com Vigevani, os colaboradores de Chávez têm procurado preservar o governante. “Ao mesmo tempo, caso a doença não seja superada, é preciso indicar um sucessor” Hoje os nomes mais cotados são o do vice-presidente, Elías Jaua, do ministro das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, e do irmão mais velho do presidente, Adán Chávez. Nenhum deles, porém, possui a força carismática e popular do atual mandatário.

Do lado opositor, a situação permanece igualmente em aberto. “Surgiram algumas figuras novas, mas a oposição tem demonstrado dificuldades em preparar um sucessor à altura de Chávez”, acredita Vigevani.

A mesma visão é compartilhada por Maringoni. “Não existe uma liderança, nem no governo nem na oposição, capaz de se legitimar no país caso Chávez saia de cena”. Isto ocorre, pois o processo político pelo qual a Venezuela passa -- e que foi denominado de “Revolução Bolivariana” pelo presidente -- é “muito centrado na personalidade de Chávez”, diz Maringoni, que já esteve na Venezuela e escreveu dois livros sobre o país.

Tratamento de saúde e reeleição

Chávez partiu para Cuba no fim de semana passada para iniciar a segunda fase do tratamento de quimioterapia, que deverá deixá-lo sem cabelo. O anúncio foi feito pelo próprio presidente, que também confessou, em entrevista gravada no último domingo (7), ter chorado quando o ex-líder cubano Fidel Castro lhe comunicou que foram detectadas células cancerígenas em seu corpo.

O presidente retirou um tumor maligno em cirurgia realizada em junho em Cuba, e desde então tem ido periodicamente à ilha para fazer quimioterapia. Mas os problemas de saúde não impediram Chávez de anunciar, em 25 de julho, que será candidato à reeleição em 2012.

Em 2009, ele saiu vitorioso de um referendo sobre a reeleição ilimitada, com 54% dos votos dos venezuelanos. O presidente está no poder desde 1999.

o presidente usa seus problemas de saúde para se impor na campanha eleitoral e invocar solidariedade [clique aqui e leia mais]. “Chávez faz culto à personalidade com seu discurso contraditório sobre o que tem e o que aparenta ter, sem apresentar um médico ou porta-voz que o atenda”, disse.

Ele também criticou o fato de o mandatário fazer tratamento em Cuba e sua vontade de permanecer no poder. “Se Chávez enfrenta um câncer deveria se sentir em paz, fora das pressões que implica o governo.”

Lacuna no poder

De acordo com Vigevani, os colaboradores de Chávez têm procurado preservar o governante. “Ao mesmo tempo, caso a doença não seja superada, é preciso indicar um sucessor” Hoje os nomes mais cotados são o do vice-presidente, Elías Jaua, do ministro das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, e do irmão mais velho do presidente, Adán Chávez. Nenhum deles, porém, possui a força carismática e popular do atual mandatário.

Do lado opositor, a situação permanece igualmente em aberto. “Surgiram algumas figuras novas, mas a oposição tem demonstrado dificuldades em preparar um sucessor à altura de Chávez”, acredita Vigevani.

A mesma visão é compartilhada por Maringoni. “Não existe uma liderança, nem no governo nem na oposição, capaz de se legitimar no país caso Chávez saia de cena”. Isto ocorre, pois o processo político pelo qual a Venezuela passa -- e que foi denominado de “Revolução Bolivariana” pelo presidente -- é “muito centrado na personalidade de Chávez”, diz Maringoni, que já esteve na Venezuela e escreveu dois livros sobre o país.

Tratamento de saúde e reeleição

Chávez partiu para Cuba no fim de semana passada para iniciar a segunda fase do tratamento de quimioterapia, que deverá deixá-lo sem cabelo. O anúncio foi feito pelo próprio presidente, que também confessou, em entrevista gravada no último domingo (7), ter chorado quando o ex-líder cubano Fidel Castro lhe comunicou que foram detectadas células cancerígenas em seu corpo.

O presidente retirou um tumor maligno em cirurgia realizada em junho em Cuba, e desde então tem ido periodicamente à ilha para fazer quimioterapia. Mas os problemas de saúde não impediram Chávez de anunciar, em 25 de julho, que será candidato à reeleição em 2012.

Em 2009, ele saiu vitorioso de um referendo sobre a reeleição ilimitada, com 54% dos votos dos venezuelanos. O presidente está no poder desde 1999.

Fonte: UOL.COM.BR