Publicado em 19/06/2012 as 12:00am

Agência diz que ex-presidente egípcio Mubarak está 'clinicamente morto'; informação é desmentida

O ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, 84, estaria 'clinicamente morto', depois de sofrer uma parada cardíaca e um AVC (acidente vascular cerebral) nesta terça-feira (19). A informação é da agência oficial egípcia "Mena". Segundo a agência, os médicos est

O ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, 84, estaria 'clinicamente morto', depois de sofrer uma parada cardíaca e um AVC (acidente vascular cerebral) nesta terça-feira (19). A informação é da agência oficial egípcia "Mena". Segundo a agência, os médicos estariam tentando reanimá-lo, mas ele não teria respondido inicialmente aos estímulos do desfibrilador.

No entanto, fontes da família do ex-presidente ouvidas pela "Al Jazeera" negaram a informação, dizendo que ele foi reanimado e está respirando com a ajuda de aparelhos. Um advogado de Mubarak, citado pelo site do jornal "The Washington Post" e fontes militares e dos serviços de segurança do país ouvidas pela agência "Reuters" dizem que ele está sobrevivendo com a ajuda de aparelhos.

O general Said Abbas, membro do conselho militar egípcio, disse à "Reuters" que Mubarak sofreu um AVC, mas acrescentou: "Qualquer conversa sobre ele estar clinicamente morto é absurda".

Pouco antes da declarada 'morte clínica', a agência havia divulgado que o ex-presidente estava em "fase crítica, agravada por uma crise respiratória", segundo fontes médicas.

No atendimento emergencial, os médicos usaram um desfibrilador para reanimar o ex-presidente e passaram a tentar eliminar o coágulo. Para receber tratamento, Mubarak foi transferido para o hospital militar de Maadi, no subúrbio do Cairo, capital do país. Mubarak foi condenado à prisão perpétua no último dia 2, como um dos responsáveis pela morte de manifestantes durante os protestos da Primavera Árabe. Desde então, ele estava no hospital da prisão de Tora, no sul do Cairo.

No mesmo dia da condenação, já foram divulgadas informações sobre a fragilidade da saúde do ex-líder egípcio. No último dia 11, depois de sofrer duas paradas cardíacas, Mubarak acusou as autoridades do Egito de quererem matá-lo.

De acordo com os médicos, o estado de saúde de Mubarak piorou depois de chegar à penitenciária, na qual foi colocado na área hospitalar. Para os especialistas, ele sofre de depressão aguda, além de ter dificuldades respiratórias e hipertensão.

Sua família pediu que ele fosse transferido para um hospital para ser tratado, como tinha sido o caso antes de sua condenação, mas as autoridades indicaram que não tinham tomado ainda uma decisão e que Mubarak seria "tratado como qualquer prisioneiro".

Em abril do ano passado, ele havia sido hospitalizado em um centro médico de Sharm el Sheij, na península do Sinai, depois de sofrer um ataque cardíaco. O ataque ocorreu no mesmo dia em que ele havia sido interrogado e, posteriormente, preso. Com o início de seu julgamento, em agosto, Mubarak foi transferido para o Centro Médico Internacional do Cairo.

Protestos

As manifestações da Primavera Árabe levaram à renúncia de Mubarak, no dia 11 de fevereiro do ano passado. Desde a queda do então presidente, o Egito vive a incerteza sobre seu futuro político e a expectativa sobre a transferência de poder dos militares para um governo civil.

Na última quinta-feira (14), a Suprema Corte decidiu dissolver o Parlamento e convocar novas eleições legislativas alegando irregularidades no pleito realizado no ano passado. A promessa dos militares, que assumiram o comando depois da queda de Mubarak e novamente com a dissolução do Parlamento, é de entregar o poder ao presidente eleito até o final deste mês.

A notícia sobre a piora de saúde de Mubarak vem à tona no momento em que os egípcios voltam a ocupar as ruas em protesto contra a Junta Militar. Os protestos ocorrem antes mesmo da divulgação do resultado oficial das eleições presidenciais: os dois candidatos se autoproclamam eleitos. O segundo turno foi realizado no último fim de semana, com o embate entre o ex-primeiro-ministro Ahmed Shafiq e Mohammed Mursi, candidato da Irmandade Muçulmada.

Fonte: uol.com.br