Publicado em 16/08/2012 as 12:00am

Estagiária mais famosa da história, tem dificuldade de arrumar emprego

Monica Lewinsky era em 1995 uma jovem de 21 anos que, como estagiária na Casa Branca, de vez em quando devia ir ao Salão Oval levar pizza para o presidente dos EUA. A refeição derivou em um flerte que evoluiu até se transformar em uma relação de 18 meses,

Monica Lewinsky era em 1995 uma jovem de 21 anos que, como estagiária na Casa Branca, de vez em quando devia ir ao Salão Oval levar pizza para o presidente dos EUA. A refeição derivou em um flerte que evoluiu até se transformar em uma relação de 18 meses, que incluiu sexo oral, telefonemas de alto teor erótico e várias peripécias com um charuto e um vestido azul da Gap. Tudo resultou em um processo contra Bill Clinton em dezembro de 1998 por ter cometido perjúrio, ao negar diante da população americana que tivera uma aventura sentimental com a estagiária, e por obstrução de justiça. Catorze anos depois, a vida do ex-presidente democrata é perfeitamente conhecida, mas o que aconteceu com Lewinsky?

A estagiária mais famosa da história, aos 39 anos, prefere manter um perfil discreto, distante dos focos aos quais tão bem se adaptou imediatamente depois da eclosão do escândalo presidencial batizado com seu nome - Monicagate. Depois de experimentar a sorte em uma longa série de empresas falidas - que incluem uma linha de bolsas, ser a imagem de uma dieta de emagrecimento, apresentar um reality-show no qual aconselhava as candidatas a escolher o homem ideal, ou como correspondente de moda para o canal britânico Channel Five - Lewinsky mudou-se para Londres em 2005 para fazer pós-graduação em psicologia social pela Escola de Economia de Londres. Um ano depois voltou à Nova York, cidade onde reside quando não está em Los Angeles, onde vivem seus pais divorciados e seu irmão. A jovem não tem um emprego estável, mas, segundo o tabloide "The National Enquirer", pretende fundar sua própria empresa de relações públicas. "Monica está trabalhando por conta própria para uma amiga que tem uma companhia de relações públicas e conta com o apoio econômico de sua família para ir levando e poder montar sua própria empresa", declarou uma amiga de Lewinsky à publicação.

No entanto, de acordo com o "Enquirer", a ex-amante de Clinton não parece passar por seu melhor momento. Lewinsky está desanimada e "tem baixa autoestima", segundo a mesma amiga. Embora de vez em quando possa ser vista no SoHo comendo com seu amigo, o ator Alan Cumming, ou com o fotógrafo Terry Richardson - que em 2011 publicou em seu blog uma foto dos dois, uma das poucas imagens públicas recentes da ex-estagiária -, esta quase não aparece nas festas mais exclusivas de Nova York, nem vai aos restaurantes da moda nos quais antes era assídua, segundo o perfil de Lewinsky publicado em 2000 por "The New York Magazine".

Apesar de sua aparente obsessão pelo anonimato, não faz tanto tempo que o nome de Lewinsky voltou a polarizar os títulos da imprensa. Em 20 de fevereiro passado, a rede de televisão PBS transmitiu nos EUA e no Reino Unido um documentário de quatro horas sobre o presidente Clinton, centrado em boa medida em seus problemas para conter a libido. Apesar de grande parte do programa tratar de sua própria história, Lewinsky não foi convidada a participar, o que não foi obstáculo para que muitos meios de comunicação profetizassem que a ex-estagiária aproveitaria a estreia para reconquistar a fama perdida. No entanto, as únicas imagens dela que apareceram na televisão nesses dias foram de arquivo, que circularam durante 1998, nas quais aparecia posando em atitude recatada junto de Clinton.

As pessoas mais próximas de Lewinsky afirmam que a jovem quer se desligar completamente de tudo o que tenha a ver com o ex-presidente. "Ela está tentando seguir sua vida, nunca quis ser uma figura pública. Deseja passar o mais despercebida possível", comentou sua amiga e ex-publicitária Barbara Hutson para a revista "Time" em 2008. A própria ex-estagiária reconheceu para a "New York Magazine" que as pessoas ainda a insultavam na rua por seu envolvimento no processo de acusação de Clinton. "As pessoas formaram uma opinião sobre mim baseada no que fiz em um ano durante o qual ainda não era capaz de definir a mim mesma", lamentou.

Apesar de não querer saber nada dos Clinton, esse sobrenome capitalizou quase todas as aparições públicas de Lewinsky desde que começou o escândalo. Em 2000, saiu à venda sua biografia autorizada, "Monica's Story", escrita por Andrew Morton, pela qual Lewinsky recebeu US$ 500 mil; em 2002, participou, em troca de uma considerável remuneração, do documentário da HBO "Monica em Preto e Branco"; em 2004, Lewinsky aproveitou a publicação das memórias de Clinton para declarar ao jornal "Daily Mail" que sua relação não foi só física, como ele afirmou no livro, e em 2007 pediu perdão em público a Hillary e Chelsea Clinton no programa "20/20".

Há dois anos novamente não resistiu à tentação de referir-se a seu passado sentimental e em um e-mail que o professor de direito Ken Gormey transcreveu em seu livro, "A Morte da Virtude Americana", reconhecia abertamente que o ex-presidente mentiu sobre sua aventura durante o processo de acusação contra ele.

Sem dúvida essas receitas ajudaram Lewinsky a financiar a vida que começou a levar em Nova York no início de 2000, época em que inclusive participou da entrega dos Oscars de braço dado com sir Ian McKellen. Agora são seu pai e seu padrasto, um magnata da mídia, que a ajudam economicamente até que consiga esse trabalho que parece lhe resistir. "Quem vai querer me contratar, sabendo do meu passado?", lamentou a própria Lewinsky na reportagem de "The New York Magazine".

Dá a sensação de que, não importa a forma como ela tente se reinventar, Lewinsky está condenada a viver com o estigma de ter sido a estagiária que manteve "uma relação inadequada" com o presidente dos EUA.

Fonte: uol.com.br