Publicado em 1/08/2013 as 12:00am

Uruguai quer proibir "happy hours" para combater consumo de álcool

Uruguai quer proibir "happy hours" para combater consumo de álcool

Montevidéu, 1 ago (EFE).- O governo uruguaio, que quer legalizar a produção e a venda de maconha, enviou nesta quinta-feira ao Parlamento
uma iniciativa para combater o consumo abusivo de álcool, com a proibição de festas com bebida liberada e "happy hours".

O projeto de lei precisa ainda ser debatido pelas diversas comissões e ser votado pelas duas câmaras do Parlamento uruguaio para entrar em vigor, o mesmo caminho pelo qual passa o projeto de lei que legaliza a maconha, e que ontem recebeu sinal verde da Câmara dos Deputados e deve ser referendada sem problemas pelos senadores.

O novo projeto prevê a criação da Unidade Reguladora de Bebidas Alcoólicas (URBA), que emitirá licenças especiais para os pontos de venda e distribuição com o objetivo de evitar a venda ambulante e se encarregará de "promover e propor ações para divulgar os riscos e reduzir os danos associados ao consumo problemático de bebidas alcoólicas".

Além disso, a lei contempla um aumento dos impostos para as bebidas alcoólicas que, juntamente com a arrecadação das licenças, seria destinado à prevenção e ao tratamento de doenças causadas pelo consumo do álcool.

Também ficaria proibida a venda de álcool entre 22 e 8 horas, "com exceção dos estabelecimentos que possuírem licença especial de venda a varejo para consumo dentro do estabelecimento".

Ainda não seria permitida a venda e a distribuição de álcool nas vias públicas, nem nos centros de ensino públicos e privados.

As promoções de venda e consumo de bebidas alcoólicas, como os "happy hours" e os "open bar" seriam proibidas e a publicidade do setor controlada.

A iniciativa, explicou o secretário da presidência uruguaia, Diego Cánepa, "não é uma abordagem puritana contra o álcool", mas vai "contra uma conduta abusiva que mudou o relacionamento entre as pessoas".

Cánepa lembrou que as duas drogas mais consumidas pelos uruguaios são o álcool e o tabaco, que causam por ano a morte de quatro mil pessoas.

Segundo dados da Junta Nacional de Drogas, no Uruguai existem 260 mil consumidores problemáticos de álcool, 63 mil deles precisam de tratamento ou algum tipo de ajuda profissional para superar a dependência, números alarmantes para um país que tem 3,3 milhões de habitantes.

Quanto ao consumo de maconha, de acordo com a Junta, 20% dos uruguaios entre 15 e 65 anos consumiu a droga pelo menos uma vez na vida e 8,3% usou no último ano.

Fonte: www.uol.com