Publicado em 25/06/2014 as 12:00am

Sudanesa perdoada de pena de morte é acusada de falsificar documentos

A sudanesa condenada à morte por abandonar o Islã - e depois perdoada - foi acusada de falsificar documentos para deixar o país, disse seu advogado à BBC.

A sudanesa condenada à morte por abandonar o Islã - e depois perdoada - foi acusada de falsificar documentos para deixar o país, disse seu advogado à BBC.

Meriam Ibrahim foi detida na terça-feira, um dia após um tribunal tê-la libertado, anulando a pena de morte imposta por ela ter renunciado ao Islã.

A mulher portava documentos de viagem de emergência emitidos pelo Sudão do Sul quando foi detida no aeroporto de Cartum, no Sudão, ao tentar embarcar com sua família para os Estados Unidos.

A embaixada do Sudão do Sul em Cartum disse que os documentos de viagem são verdadeiros. O marido dela, Daniel Wani, é cristão de origem do Sudão do Sul e cidadão americano.

Meriam, de 27 anos, foi condenada à morte em maio por abandonar a religião islâmica, uma decisão que causou indignação internacional.

Durante o tempo que passou na prisão, Meriam deu à luz uma menina. Na ocasião, autoridades do Judiciário disseram que ela poderia cuidar de sua filha por dois anos antes do cumprimento da sentença.

Os EUA disseram estar trabalhando para a libertação de Mariam.

O advogado de Meriam, Elsherif Ali, disse à BBC que a Autoridade Nacional de Segurança e Inteligência do Sudão havia apresentado uma denúncia contra Meriam por falsificação de documentos.

Segundo ele, ela estaria detida em uma delegacia de Cartum.

Acredita-se que marido e os dois filhos estejam na Embaixada, informou o correspondente da BBC Mohamed Osman, em Cartum. Eles haviam sido detidos no aeroporto com Meriam, mas foram liberados.

Com a agência de inteligência do Sudão envolvida no caso, uma solução deverá ser mais difícil e complicada, disse o correspondente da BBC.

'Repressão'

Mais cedo, uma autoridade do Ministério de Relações Exteriores sudanês disse que Meriam era sudanesa e que não deveria usar um documento de viagem emitido por outro país, com um visto americano.

"Ela chegou ao aeroporto em um carro da Embaixada americana - que era blindado e com segurança reforçada. Há algo suspeito em chegar em um carro estrangeiro - não é normal aparecer em um carro blindado e com segurança da Embaixada dos EUA", disse Abdullahi Alzareg à BBC.

"Todos sabem que ela é sudanesa. Nós sabemos que ela é sudanesa... imagine um cidadão britânico tentando viajar aparecendo no aeroporto portando um documento de emergência da Costa Rica. Esta é uma violação das leis de migração em qualquer lugar no mundo", disse ele.

Segundo ele, será exigido que Meriam solicite um passaporte e um visto de saída para sua libertação.

Grupos de direitos humanos acusam o governo sudanês de repressão.

A maioria da população do Sudão é muçulmana, e a lei islâmica está em vigor no país desde os anos 1980.

Meriam foi criada como cristã ortodoxa, mas um juiz decretou que ela deveria ser considerada muçulmana, religião de seu pai.

Ela se recusou a renunciar ao cristianismo e foi condenada à morte por apostasia - abandono da religião.

Seu casamento em 2011 com Wani foi anulado. Ela também foi condenada a cem chibatadas por adultério, já que a união não é considerada válida sob a lei islâmica.

Fonte: uol.com.br