Publicado em 23/01/2015 as 12:00am

Brasileiros opiniam sobre o executado na Indonésia

A execução do brasileiro levantou a questão da pena de morte e dividiu a opinião de brasileiros de todas as partes do mundo. Em entrevista ao Brazilian Times, o ex-cônsul do Brasil na Indonésia, Renato Vianna, fala sobre as leis no país.

A execução do brasileiro levantou a questão da pena de morte e dividiu a opinião de brasileiros de todas as partes do mundo. Em entrevista ao Brazilian Times, o ex-cônsul do Brasil na Indonésia, Renato Vianna, fala sobre as leis no país.

Com um único tiro no peito o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi executado neste final de semana na Indonésia. Segundo o porta-voz da

Procuradoria Geral, Tony Spontana, as cinzas serão enviadas ao Rio de Janeiro. O fuzilamento do carioca ocorreu dentro do complexo de prisões de Nusakambangan, a 400 km de Jacarta, capital da Indonésia. O brasileirofoi condenado porque tentou entrar na Indonésia, em 2004, com 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta.

O ex-cônsul do Brasil em Bali, Renato Vianna, que lá reside há mais de 20 anos, fala sobre o tráfico no país. “Existia uma organização de tráfico em Bali vindo de brasileiros, toda essa história está escrita no livro ‘Snowing in Bali’. Aqui é pena de morte e quem traz droga está ciente das consequências”, informa Renato.

Ao contrário do que foi divulgado nas mídias brasileiras de que Marco era instrutor de voo-livre, Renato fala sobre as verdadeiras atividades do brasileiro. “Ele era traficante desde os 16 anos de idade e usava a asa delta para levar a droga. Ele sabia do risco e já trazia drogas para Bali há muitos anos”.

Sobre a dimensão e grande repercussão do caso na mídia Renato acredita que tudo isso venha do fato de ser o primeiro brasileiro a ser executado, ou talvez por Marco ser bem relacionado no Brasil e ser morador de Ipanema. “O Brasil é um país no qual os problemas nunca são resolvidos, só pioram, acho que a Indonésia pensa mais no povo, e este vive bem aqui, sem demagogia política, as leis são justas e o povo as respeita. Vida simples mas honesta”.

Questionado sobre sua posição contra ou a favor da pena de morte ele diz que é a favor de uma vida segura. “A Indonésia é um país seguro, no qual as drogas e as armas são proibidas e super controladas. Nas Américas o crime é banal, e eu acredito muito que a droga financia políticos. Sou a favor de o povo ter o direito de viver em paz, de poder criar os filhos sem paranoia e com segurança. Mesmo nos EUA o crime e as drogas são aliados, os EUA é aonde tem o maior número de presidiários. Aqui a comunidade ajuda a segurança, não temos um grande número de policiais super equipados, nem segurança de banco tem armas somente a polícia e o exército”, relata Renato.

Sobre o caso em geral e a questão do tráfico de drogas Renato diz que há muitas coisas erradas no Brasil e compara com Bali. “Os jovens são pegos pelos traficantes que estão infiltrados em todas as classes. Não há combate às drogas e a corrupção, o Brasil é o país da impunidade e o pequeno percentual de marginais faz com que a maioria da sociedade viva com medo. Aqui o corrupto é preso e julgado não tem perdão ao crime”.

Histórico: A prisão de Marco Archer Cardoso Moreira e a repercussão no Brasil e no Mundo

Ao perceber que a droga foi descoberta pelo policial do Aeroporto Internacional de Jacarta, através do raio-x, o carioca deu um jeito de escapar e ficou foragido por 15 dias, quando foi capturado.

Como o tráfico de drogas é extremamente repugnado naquele País, a pena para quem for pego com entorpecentes é a morte.

Em um vídeo que circulou na internet, ele diz que errou e pediu mais uma chance. “Eu estou consciente de que eu cometi um erro gravíssimo, mas eu mereço mais uma chance. Todo mundo erra. Meu sonho é sair daqui, voltar para o Brasil e expor meu problema para esses jovens que estão pensando em se envolver com drogas”, solicitou o brasileiro.

Seu caso chegou até à presidência da república, quando então a presidente Dilma Rousseff fez um apelo por telefone ao governante da Indonésia, Joko Widodo, mas não foi atendida.

A questão gerou muito polêmica contra e a favor da pena de morte, principalmente por se tratar de um traficante, que durante toda a vida se beneficiou com o tráfico. Muitos que são a favor do fuzilamento do condenado ressaltam que as atividades ilegais realizadas por Marco já tirou a vida de muita gente e que ele não era nenhum “coitadinho” digno de uma absolvição. Como a Indonésia é extremamente rígida nas questões de tráfico de drogas, ele estava completamente ciente dos riscos que corria.

Confira o que alguns brasileiros pensam sobre o assunto.

“Para mim demoraram a matar. Que fuzilem todos os outros que estão lá também! Sério mesmo, tem que morrer, o cara era um lixo humano que foi traficante toda sua vida destruindo famílias e não tinha a menor consideração com o bem comum. Para ele, regras foram feitas para serem descumpridas. Um lixo”, - João Vianna, New Jersey

“Bom, eu sou totalmente contra a pena de morte e a guerra contra as drogas. Se a sociedade se interasse sobre os reais motivos por trás dessa guerra, entenderia que vai muito além do que impedir que os indivíduos prejudiquem a sua saúde. Ate porque o álcool é o maior responsável pelas internações nas emergências nos hospitais. Responsável também pela maior parte da violência cometida contra o outro. Não concordo que o Estado tenha controle sobre a nossa vida, nosso corpo, nossos hábitos e escolhas. As proibições só prejudicam a vida dos indivíduos e da sociedade no geral. Quem quer usar droga, usa! Quem quer fazer um aborto, faz! A proibição não impede essas práticas, apenas criminaliza o indivíduo e fomenta o mercado negro. Quantas vidas foram perdidas por conta da proibição? Sobre o caso do brasileiro a pena de morte é exagerada. - Luciana Kornalewski, estudante de sociologia em NYC

“Na minha opinião eu achei foi justo e merecido apesar todos tem direito à vida e à defesa, idealismo, ideologias soberanias nacional acordos internacionais debates de qualquer ordens a parte sou contra a pena de morte. Achei injusto a presidente ir a favor de um traficante, ela não estava querendo ajudar, somente se mostrar ao mundo, esquecendo que os brasileiros já foram condenados à morte faz tempo. Obrigada Indonésia por livrar mais um assassino dos jovens de tantos outros que viriam. Uma pena que o Brasil ainda não aprendeu respeitar nenhuma LEI!” - Marcia Davidowski, cabeleireira, Phoenix - Arizona

“Somente um perverso, estúpido e cérebro de concreto, defende a pena de morte contra qualquer criminoso e, no caso presente, contra Marco Archer! Duas vezes lamentável que alguém o faça em nome de qualquer coisa! É preciso que alguém esteja no plano e na dimensão do esgoto para arrogar-se o direito de tirar a vida de outrem!” - Abrahan A Dellova, self employed, New Jersey

“Concordo plenamente com a execução do brasileiro na Indonésia, independente de ser brasileiro ou não, se no Brasil as leis fossem rigorosas e válidas com certeza seria um País melhor e sem presídio super lotados bancados pela população!” - Drika Silva, house keeper, New Jersey

Fonte: Da Redação do Brazilian Times | Reportagem de Marisa Abel

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