Publicado em 2/04/2015 as 12:00am

Mulher brasileira comanda boléia de um caminhão no Japão

Foi atrás do volante de trator, retro-escavadeira e caminhão de 10 toneladas que a brasileira Judith Shibata conquistou seu espaço e respeito no Japão

Foi atrás do volante de trator, retro-escavadeira e caminhão de 10 toneladas que a brasileira Judith Shibata conquistou seu espaço e respeito no Japão

Judith Olga Shibata, 50 anos, natural do Rio de Janeiro, residente na província de Toyota-Iachi, no Japão, é uma imigrante brasileira vaidosa que adora um salto alto. O que a torna diferente é a profissão que a mesma desempenha, um tanto quanto inusitada para uma mulher imigrante em terras orientais. A mesma é operadora de retro-escavadeira, trator, máquinas pesadas e caminhoneira.

Residindo há 23 anos no Japão, trabalha há 15 anos no ramo de construção civil; divide seu tempo uma hora atrás do comando de uma retro-escavadeira ou outra máquina pesada, outra hora dirigindo um caminhão de 10 toneladas, carregando areia, entulhos, concreto, pedras etc… enquanto ostenta a bandeira do Brasil em seu para-brisa. É a única mulher – e brasileira! - que trabalha na firma que fica situada bem no centro automotivo do Japão , em Toyota-Aichi.

A profissão surgiu por acaso, como quase a de todos os degassekis - nome dado aos imigrantes pelos japoneses. Seu primeiro trabalho foi em fábricas onde trabalhou por vários meses. Entretanto, como o marido, na época, trabalhava como caminhoneiro e surgiu a oportunidade , Judith aprendeu a profissão, tirou sua carteira e desde então foi e é destaque por conseguir superar os preconceitos e provar que mulheres podem, e muito bem, exercer trabalhos até então considerados masculinos.

Mulher não pode ser fresca para trabalhar nesta profissão. Há que dividir locais, banheiros e cabines com homens e ter que pegar no pesado, mesmo que para isso tenha que quebrar uma unha…” relata Judith. Preconceito existe e ela diz ter sido discriminada várias vezes, na maioria delas pelos próprios japoneses, que não suportam vê-la ser super qualificada e profissional.

Esta guerreira vem provando que lugar de mulher não é somente atrás do fogão; e que um salto alto sempre é recomendado. No caso dela, a mesma só desce do salto quando se encontra atrás de uma boléia de caminhão!

Fonte: Da Redação do Brazilian Times | Texto de Angela Bretas