Publicado em 7/01/2016 as 12:00am

EUA, Japão e Coreia do Sul vão trabalhar em conjunto para isolar ainda mais Coreia do Norte após realização de teste nuclear com bomba de hidrogênio

Países pretendem dar 'resposta forte' e isolar ainda mais Pyongyang após realização de teste nuclear com bomba de hidrogênio

Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul vão trabalhar em conjunto para isolar ainda mais a Coreia do Norte depois de o país ter supostamente feito um teste nuclear com bomba de hidrogênio na quarta-feira — um movimento fortemente condenado pela comunidade internacional e recebido com ceticismo por especialistas, que duvidam da capacidade de Pyongyang de realizar um ensaio dessa magnitude.

O presidente americano, Barack Obama, conversou por telefone nesta quinta-feira com a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, e com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, sobre a resposta internacional ao teste nuclear, de acordo com a Casa Branca.

Ambos líderes “concordaram em trabalhar juntos para montar uma forte resposta unificada e internacional ao comportamento inconsequente mais recente da Coreia do Norte”, informou a Casa Branca em um comunicado.

Obama e Abe concordaram que as ações da Coreia do Norte constituem uma grave ameaça à estabilidade em uma região já sob fortes tensões devido à expansão militar chinesa.

O premier japonês disse que era necessária uma “resposta global firme”, enquanto o Conselho de Segurança das Nações Unidas discutem medidas punitivas contra o regime. O presidente americano, por sua vez, reafirmou o compromisso dos Estados Unidos com a segurança do Japão.

Numa medida que deve irritar seu isolado rival, a Coreia do Sul disse que vai retomar as transmissões de propaganda por meio de alto-falantes direcionados para a Coreia do Norte a partir de sexta-feira. De acordo com um oficial das Forças Armadas sul-coreanas, Seul iniciou conversas com Washington para mobilizar armamentos estratégicos norte-americanos até a península coreana.

Após o teste anterior da Coreia do Norte com um artefato nuclear, em 2013, Washington enviou dois bombardeiros B-2 capazes de transportar armas nucleares para realizar sobrevoos na Coreia do Sul, numa demonstração de força. À época, a Coreia do Norte respondeu ameaçando com um ataque nuclear contra os EUA.

A Coreia do Sul, tecnicamente um Estado em guerra contra o Norte, disse que não considera utilizar ameaças nucleares como elemento de dissuasão, apesar de pedidos feitos por líderes do partido no poder. É altamente improvável que os EUA reinstalem os mísseis nucleares táticos que retirou da Coreia do Sul em 1991, disseram especialistas.

O anúncio na TV estatal norte-coreana sobre o teste ocorreu após a detecção de um "terremoto artificial" de 5,1 graus de magnitude perto de onde se encontram as principais instalações nucleares do país. Edifícios na fronteira do lado chinês tiveram que ser esvaziados por causa do tremor.

Na tarde de quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência para discutir o caso, com as Nações Unidas considerando novas sanções contra a Coreia do Norte. Estiveram na mesa Coreia do Sul, Estados Unidos, China, Rússia e Japão. Num comunicado, o Conselho afirmou que "condena gravemente" a realização do teste e que prepara "mais medidas de efeito econômico contra Pyongyang".

O teste nuclear é o quarto realizado pelo país mais isolado do mundo, que está sob sanções dos EUA e da ONU por seus programas nucleares e de mísseis. O governo norte-coreano declarou que tinha armas nucleares em 2003, e realizou testes em 2006, 2009 e 2013.

DÚVIDAS SOBRE ARMA USADA

Os EUA e especialistas em armamentos levantaram dúvidas sobre o teste, afirmando que a atividade sísmica registrada após a explosão indica que foi utilizado um artefato muito menos potente.

— Parece como se tivessem realizado com êxito o teste nuclear, mas sem completar a segunda fase, a da explosão de hidrogênio — disse à agência AFP Crispin Rovere, um especialista em política nuclear e controle de armamentos baseado na Austrália.

A Casa Branca, por sua vez, disse que o padrão do terremoto e a área afetada não consiste com um teste "bem sucedido com uma bomba de hidrogênio". A conselheira Susan Rice entrou em contato com a China para discutir o anúncio.

A explosão subterrânea irritou a China, que não recebeu notificação prévia sobre o teste, embora seja o principal aliado da Coreia do Norte, destacando tensões nas relações entre os dois países.

Fonte: http://oglobo.globo.com