Publicado em 9/03/2016 as 12:00am

EUA capturam especialista em armas químicas do "Estado Islâmico"

O jihadista foi identificado com Sleiman Daoud al-Afari, um especialista em armas químicas e biológicas que trabalhou para o antigo ditador Saddam Hussein

Forças especiais dos Estados Unidos capturaram no norte do Iraque o responsável pela unidade de desenvolvimento de armas químicas do grupo extremista "Estado Islâmico" (EI), informaram a agência de notícias Associated Press e o jornal americano The New York Times nesta quarta-feira (09/03).

O jihadista foi identificado com Sleiman Daoud al-Afari, um especialista em armas químicas e biológicas que trabalhou para o antigo ditador Saddam Hussein. Autoridades americanas disseram que ele era o líder do recém-criado setor de pesquisa e desenvolvimento de arsenal químico do EI.

Al-Afari foi capturado há cerca de um mês, logo após a chegada de uma força de operações especiais dos EUA ao Iraque. Essa foi a primeira tropa terrestre americana enviada ao país desde que os Estados Unidos se retiraram da região, em 2011.

Em seu interrogatório, Al-Afari deu detalhes sobre como o "Estado Islâmico" conseguiu carregar o gás mostarda em armamentos. Autoridades disseram que a concentração do gás não o tornava letal, mas ele poderia mutilar pessoas.

Fontes do Departamento de Defesa americano afirmaram que os Estados Unidos não pretendem deter o capturado indefinidamente e que ele será repassado para autoridades iraquianas e curdas, depois do fim do interrogatório.

Autoridades americanas confirmaram nesta quarta-feira bombardeios realizados nos últimos dias a locais onde os extremistas estocavam armas químicas no Iraque. Os ataques aéreos visavam impedir o grupo de usar gás mostarda. As informações dos alvos teriam sido repassadas por um integrante do EI que foi detido. Laboratórios e equipamentos do grupo extremistas também foram alvos.

Ataques químicos

O progresso do "Estado Islâmico" no desenvolvimento de armas químicas é limitado, mas o grupo teria conseguido fabricar gás mostarda. Testes confirmaram o uso dessa substância em ataques dos jihadistas na Síria, em agostos de 2015.

Especialistas afirmam, no entanto, que, aparentemente, os extremistas não têm capacidade para produzir esse armamento em larga-escala, o que requer não somente experiência, mas também equipamentos apropriados, materiais e uma cadeia de fornecimento.

Há relatos recentes de ataques químicos realizados pelo EI. Autoridades locais iraquianas disseram que mais de 40 pessoas sofreram asfixia e irritações na pele após um ataque dos jihadistas na terça-feira em Taza, no norte do país. Nenhuma das vítimas morreu, mas cinco permanecem internadas.

O governador da província de Kirkuk, Najmuddin Kareem, afirmou que a substância usada no ataque ainda não foi identificada. "Os jihadistas querem assustar a população. Eles querem mostram que têm armas químicas como o regime anterior", disse Kareem, ferindo-se a um ataque das forças de Hussein a uma vila curda em 1988, que deixou milhares de mortos.

Em dezembro do ano passado, Washington deu início uma nova estratégia, com uma unidade especial destinada a capturar líderes do EI e a reunir informações para ataques em operações clandestinas.

 

Fonte: http://www.msn.com/