Publicado em 16/03/2016 as 11:55am

Brasileiro Leo Curvelo leva medalha de Bronze nos jogos Panamericanos de Paratriathlon de Sarasota (FL)

Bronze nos jogos Panamericanos

No último domingo, dia 13 de março, aconteceu em Sarasota (Florida) os Jogos Panamericanos de Paratriathlon e para orgulho do nosso país, o brasileiro Leonardo Landim Curvelo, de 41 anos ficou em terceiro lugar na competição, trazendo muito orgulho para o Brasil e mostrando ser um verdadeiro exemplo de garra e determinação.

Nascido em Salvador (Bahia), Leo Olímpico (como e mais conhecido no meio dos esportes), sofreu um acidente de carro aos 34 anos de idade, menos de uma semana após ter perdido seu pai. Esse acidente teve como consequência a amputação do braço esquerdo de Leonardo. Antes do acidente ele já era adepto de esportes como Jiu-Jitsu e surf, mas foi só após o ocorrido que ele descobriu o triátlon e resolveu participar de competições nacionais e internacionais, se dedicando aos treinos 8 horas por dia, de domingo a domingo.

Leonardo iniciou a prática de esportes ainda na fase da adolescência, após sofrer bullying de colegas da escola por ser obeso. “ Aos 15 anos cheguei a pesar 120 quilos. Sofria muito preconceito e recebia apelidos maldosos, como rolha de poço, baleia, etc. Isso me levou a praticar esportes. Depois do acidente, me entreguei e parei de treinar. Quando vi que estava ganhando peso de novo, decidi me dedicar, mesmo que aos poucos. Comecei fazendo caminhada na praia, depois tentei voltar a surfar, voltei para a musculação. Foi uma série de etapas. Não queria passar por tudo aquilo novamente e dessa vez eu tinha um agravante: eu tinha que aprender a conviver sem um dos braços. O esporte novamente me levou a buscar a superação”, conta.

Em junho de 2013 ele participou da sua primeira competição nacional. Após 7 meses de treino, estreou em competições internacionais, no Panamericano de Dallas, onde conseguiu a quarta colocação. No mês seguinte, seguiu para uma competição no Canadá, onde foi campeão mundial, sendo a única medalha de ouro conquistada por atletas brasileiros, na categoria PT3 Open. Em um ano participou de nada menos que 38 competições, sendo essas nacionais e internacionais.

Mesmo tento inúmeras dificuldades, tais como a falta de patrocinadores, atualmente Leo conta com uma pequena verba do governo do Estado para conseguir passagens, como foi o caso das passagens que o trouxeram para essa competição em Sarasota, ele não desanima e atualmente ministra palestras motivacionais, para falar de contar um pouco da sua trajetória de superação. “ Não reclamo, só agradeço e procuro fazer o meu melhor em cada competição”, relata o atleta.

Para complementar os custos das competições, tais como alimentação, hospedagens, etc., ele conta com apoio de seguidores em suas redes sociais e com a vendas de camisas de uma campanha que criou para divulgar seu trabalho no esporte. “Agradeço a QCLOR SUDESB e a todos os braços amigos que vem comprando minhas camisas e me ajudando a competir”, agradece.

O Triatlon junta as três modalidades de esporte: natação, ciclismo e corrida. É um esporte que exige muito treino e preparo físico, além de ser muito caro no Brasil, pois seus equipamentos tem um valor elevado. Para se ter uma ideia dos custos dos equipamentos no Brasil, um simples par de tênis adequado para ele participar de uma competição, custa em média R$500,00, uma bicicleta chega a custar até R$90.000,00. Como provém de uma família de classe média, Leo não tem uma prótese, que poderia ajudá-lo a melhorar ainda mais seu desempenho nas competições. “ Procuro superar a ausência das próteses, melhorando ainda mais meu desempenho e diminuindo meu tempo nas provas. E um desafio que tenho, mas que tem valido muito a pena. ”

Apesar de ser o único atleta que não teve preparador físico, durante a competição em Sarasota, Leonardo provou mais uma vez que a fé, a força de vontade e a dedicação são os principais e indispensáveis ingredientes para uma trajetória de sucesso, seja no esporte ou em qualquer outra área. “ Reclamar é o que todo mundo faz, todos temos problemas. Eu costumo dizer em minhas palestras: tire a palavra problema do seu dicionário, coloque como uma dificuldade que pode ser superada. Reclamar é fácil, sorrir e que é o difícil. ”, finaliza.

Se você quer conhecer um pouco mais da trajetória desse campeão, apoiá-lo comprando uma das camisas de sua campanha, e assim ajudá-lo nas próximas competições, entre em contato diretamente com ele pelo e-mail leolimpico@hotmail.com.

 

Fonte: Thais Partamian Victorello