Publicado em 5/09/2016 as 4:00pm

Enviado dos EUA na Síria diz que cessar-fogo pode ser anunciado logo

Obama e Putin se reunirão durante o G20 na China. Trégua anunciada em fevereiro entrou em colapso e confrontos cresceram.

Um acordo na Síria está sendo discutido pelos Estados Unidos e a Rússia e poderá envolver um amplo cessar-fogo no país em breve, afirmou o enviado de Washington na Síria, Michael Ratney, em carta enviada à rebeldes e obtida pela agência de notícias Reuters.

Uma trégua anunciada em fevereiro entre os inimigos da Guerra Fria entrou em colapso e diálogos de paz ruíram, com o governo sírio e a oposição fazendo acusações mútuas de violações. Os confrontos têm crescido desde então no país, particularmente na cidade dividida de Aleppo, onde os avanços de ambos os lados cortaram suprimentos, energia e água para cerca de 2 milhões de moradores de áreas pró-governo e favoráveis aos rebeldes.

Os EUA apoiam os rebeldes moderados e curdos que lutam na Síria, além de liderar a coalização internacional que bombardeia alvos so Estado Islâmico no país. Já a Rússia, é aliada de Moscou e apoia o Exército do presidente Bashar al-Assad. O conflito na Síria deixou mais de 260 mil mortos desde seu início, em 2011.

Este novo acordo vai obrigar a Rússia a evitar que aviões de guerra do governo sírio bombardeiem áreas detidas pela oposição e vai exigir a retirada de forças de Damasco de uma importante rota de suprimentos ao norte da cidade de Aleppo, segundo a carta datada de 3 de setembro enviada por Michael Ratney.

Em troca, os EUA vão agir de maneira coordenada com a Rússia no combate à al Qaeda, afirma a carta sem dar detalhes.

O documento afirma que os rebeldes precisam cooperar para que o acordo tenha efeito e que há garantias sendo dadas de que Moscou, aliado mais poderoso do regime Sírio, vai respeitar o pacto.

No entanto, um funcionário americano de alto escalão disse à France Presse que a Rússia voltou atrás em alguns temas nas negociações que mantém com os EUA, o que torna impossível no momento que as duas potências fechem um acordo de cooperação.

"Os russos voltaram atrás sobre pontos que pensávamos que já havíamos acordado, portanto cada um retornará a sua respectiva capital para consultas", declarou um funcionário do departamento de Estado durante a cúpula do G20 que é realizada na cidade chinesa de Hangzhou.

Presidentes se reunirão
Os presidentes russo, Vladimir Putin, e americano, Barack Obama, concordaram em se reunirem durante o encontro de líderes do G20 na China, segundo publicou a agência de notícias russa TASS, citando um porta-voz do Kremlin.

Falando durante um encontro informal dos líderes do Brasil, Rússia, Índia e África do Sul, no leste da China, às margens da cúpula do G20, Putin disse neste domingo que a guerra na Síria somente poderá ser resolvida por meios políticos.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, declarou também neste domingo que algumas questões técnicas foram superadas, mas que ainda faltam "alguns duros assuntos" a serem solucionados para se chegar a um acordo sobre um cessar-fogo na Síria com a Rússia.

Obama tinha antecipado em entrevista coletiva junto à primeira-ministra britânica, Theresa May, em Hangzhou que ambos os países trabalhavam "contra o relógio" para conseguir uma trégua que permita introduzir mais ajuda humanitária no país.

Kerry, líder das negociações com a parte russa, pediu calma e disse que os EUA levarão "o tempo que for necessário para assegurar que tudo esteja sendo feito da maneira com mais probabilidades de sucesso".

Fonte: http://g1.globo.com/

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