Publicado em 14/04/2017 as 2:00pm

Paquistanês, naturalizado brasileiro, é acusado de ajudar terroristas a entrar nos EUA

Paquistanês, naturalizado brasileiro, é acusado de ajudar terroristas a entrar nos EUA

As autoridades federais discutiram um apelo de culpado de um "brasileiro" que dirigia uma das operações de contrabando de estrangeiros mais flagrantes do Hemisfério Ocidental, furtivamente dezenas de imigrantes ilegais de países conectados ao terrorismo nos EUA de 2014 a 2016.

Sharafat Ali Khan se especializou no contrabando de imigrantes do Afeganistão, Paquistão e Bangladesh para o Ocidente, onde eles iam para o Brasil antes de serem enviados para o norte para tentar entrar nos EUA.

Um dos homens que Khan ajudou a entrar clandestinamente no país foi um afegão que, segundo as autoridades, estava envolvido em um complor para conduzir um ataque nos EUA ou no Canadá e tinha laços familiares com membros do Talibã.

Khan apareceu em um Tribunal Federal, em Washington, nesta quarta-feira (12) e concordou em se declarar culpado pela acusação de conspiração de contrabando. Ele será sentenciado neste verão e pode ficar até 46 meses na prisão, embora possa haver uma sentença mais baixa.

Khan também concordou em aceitar a deportação depois que cumprir a pena. Mas antes fará um apelo para permanecer nos EUA. "Eu quero ficar aqui. Eu sou uma pessoa pobre. Gostaria de ficar aqui, se possível. Gostaria de pedir asilo", disse ele, falando através de um tradutor.

"Isso não faz parte do acordo", disse o juiz distrital Reggie B. Walton, dizendo que Khan havia assinado a papelada prometendo aceitar sua própria deportação depois que sua sentença fosse completada.

"Você concorda em voltar para seu país", perguntou o juiz Walton.

"Sim, senhor", respondeu Khan.

O caso é parte de um esforço intensificado da U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) para fechar alguns esquemas de contrabando responsáveis pela entrada ilegal, nos Estados Unidos, de dezenas de milhares de pessoas através da América Latina.

Mas a rede de Khan se destacou porque se concentrou em ajudar imigrantes do Oriente Médio, dando aos terroristas em potencial um caminho para os EUA.

O caso foi noticiado no ano passado pela mídia norte-americana, mas foi solicitado por agentes da lei que o nome de Khan ficasse em segredo para preservar a investigação.

Autoridades americanas conseguiram desarticular o esquema através de interrogatórios feitos a imigrantes presos na fronteira. Quando os agentes da Patrulha da Fronteira apanharam o homem afegão com laços terroristas e investigaram seu nome no Banco de Dados de Triagem de Terroristas, ele não representou um perigo. Mas documentos revistos diziam que ele estava listado no banco de dados do FBI sobre o "Terrorist Identities Datamart Environment" como tendo relações suspeitas.

Os agentes obtiveram um mandado de prisão contra Khan em 3 de junho do ano passado, depois que autoridades brasileiras executaram um mandado de busca para ajudar os EUA no caso dos EUA. Khan, um cidadão do Paquistão, vivia como imigrante legal no Brasil.

Ele cobrava até US$ 15.000 para contrabandear alguém para os EUA. No esquema, Khan buscava imigrantes do Paquistão, levava para Dubai e depois para o Brasil, onde montava a viagem para o norte da América. A viagem incluía passagem pelo Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Guatemala e México antes de chegar à fronteira dos EUA. O período poderá levar até nove meses, através de selvas na Colômbia e Panamá, a pé, com pouca água.

Como outras redes, Khan confiava em contrabandistas locais para recrutar clientes em seus países de origem e enviá-los ao Brasil. Em seguida, ele usava outros contrabandistas nas Américas para levá-los para os EUA e abrigá-los em casas seguras ao longo do caminho.

Khan, que tinha o a apelido de "Dr. Nakib ", usava o aplicativo WhatsApp para manter contato com seus clientes enquanto eles estavam no caminho. Mas ele orientou a todos para apagar as conversas antes de serem pegos na fronteira entre os EUA e o México.

Em alguns dos casos, Khan orientava aos seus clientes a aparecer em um ponto de entrada e entregar-se para os agentes de fronteira e fazer reivindicações de asilo.

Autoridades acreditam que o traficante contrabandeou pelo menos 80 pessoas de maio de 2014 a junho de 2016. A taxas cobrada por ele variavam entre US$ 3.000 a US$ 15.000 por pessoa, isso significa que ele coletou US$ 240.000 a US $ 1,2 milhões durante esse período de 26 meses.

Fonte: Brazilian Times