Publicado em 10/08/2017 as 8:00am

Bancos encerram contas de farmácias e clubes de maconha no Uruguai

Entidades financeiras seguem normas de suas matrizes em países onde venda da droga não é legalizada. Clientes do espanhol Santander e do brasileiro Itaú estão sendo afetados; farmácia desistiu de vender produto.

Bancos encerram contas de farmácias e clubes de maconha no Uruguai Luisina Mezquita abre pacote de maconha comprado em farmácia de Motevidéu, no Uruguai, em 19 de julho. (Foto Matilde Campodonico AP Photo)

Produtores, clubes de maconha e farmácias que vendem o produto estão tendo suas contas bancárias encerradas por bancos estrangeiros no Uruguai. Segundo a imprensa local, a situação já aconteceu com clientes dos bancos Santander e o Itaú analisa fazer o mesmo em breve.

O encerramento responde a normas internacionais, e obedecem a exigências das matrizes desses bancos. O Santander é um banco de origem espanhola e o Itaú é brasileiro, países nos quais o comércio de maconha não é legalizado.

Segundo advogados consultados por jornais uruguaios, as instituições financeiras estrangeiras seguem as normas de suas matrizes e por isso estão impedidas de trabalhar com agentes vinculados ao comércio de drogas, mesmo quando as operações são realizadas dentro de um país onde ele é legalizado, como é o caso do Uruguai.

Por esse motivo, clientes do Banco República, estatal uruguaio, não estão sendo afetados. Este é o caso do Instituto de Regulación y Control del Cannabis (IRCCA), que regulamenta a produção e comércio da maconha no país.

Segundo o jornal “El Observador”, uma das 16 farmácias credenciadas para a venda de maconha no país decidiu suspender a comercialização depois que as contas bancárias começaram a ser encerradas. Eles receberam do Santander um pedido para adiar a decisão por 30 dias enquanto o banco tenta encontrar uma alternativa.

O assessor legal do Centro de Farmácias, Pablo Durán, disse ao jornal que se trata de uma das quatro farmácias de Montevidéu autorizadas a vender o produto, e que seus proprietários já teriam iniciado o processo de descredenciamento.

Fonte: g1.globo.com