Publicado em 15/08/2017 as 8:00am

Maduro rebate Trump convocando exercício militar e acusando oposição

Presidente pede investigação de rivais e diz que Venezuela não aceita intimidação.

Maduro rebate Trump convocando exercício militar e acusando oposição Maduro faz discurso para apoiadores em Caracas - (Divulgação Prensa Presidencial)

Enquanto o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, viaja para a América Latina tentando atenuar as preocupações causadas pela ameaça de Trump de uma possível ação militar na Venezuela, o líder do país, Nicolás Maduro, buscou se aproveitar da indignação local realizando um protesto "anti-imperialista" nesta segunda-feira. Maduro pediu que a recém-instalada Assembleia Constituinte investigue a oposição por supostamente apoiar a ameaça de Trump, e ordenou ainda a realização de exercícios militares em resposta.

— Dei a ordem ao Estado Maior Superior da Força Armada para iniciar os preparativos para um exercício nacional, cívico-militar de defesa integral armada da pátria venezuelana — anunciou o presidente.

A marcha começou com um comício no final da manhã e terminou no palácio presidencial, onde Maduro falou para a multidão.

— A Venezuela foi e é campeã em eleições democráticas — rebateu Maduro, que disse que os EUA tentam desestabilizar o país com "um golpe de direita de uma quinta-coluna". — A Venezuela é um povo de paz. Não aceitamos ameaças de nenhum império, senhor Trump.

Maduro afirmou ainda ter pedido a investigação porque a coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) "justificou a ameaça" de Trump. Ele alegou que os rivais políticos "não dizem uma só palavra para defender o direito à paz desta terra sagrada". Um dia antes, a aliança de opositores havia rechaçado em nota a ameaça feita por Trump na sexta-feira, criticando "o uso da força, ou a ameaça de aplicar a mesma, por parte de qualquer país".

— Trump go home, que se escute até Washington — disse o presidente.

Em Cartagena, Pence procurou aliviar a declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, da última semana de que uma "opção militar" estava sendo considerada para a Venezuela.

O vice-presidente disse que o governo dos Estados Unidos está confiante de que uma solução pacífica pode ser encontrada para a crise na Venezuela, rica em petróleo mas economicamente enfraquecida, onde mais de 120 pessoas morreram em protestos anti-Maduro desde abril.

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Os comentários de Trump podem ser uma salvação política para o impopular Maduro. Como seu antecessor e mentor, o falecido Hugo Chávez, Maduro diz que o país precisa ser unificado pelo socialismo para se defender contra uma invasão norte-americana, voltada para roubar as vastas reservas de petróleo da Venezuela.

A marcha começou em uma praça no centro da cidade, onde centenas de "chavistas" dançaram ao som de uma banda local que tocava em um palco improvisado. "Venezuela e América Latina unidas contra o império", gritou um manifestante, enquanto o Partido Socialista promoveu no Twitter as hashtags #StopTrump (#PareTrump) e #TrumpGoHome (#TrumpparaCasa).

A televisão interrompeu a cobertura da marcha para transmitir uma declaração do ministro da Defesa, Vladimir Padrino. Tendo ao fundo dezenas de soldados preparados para a batalha em uma base das Forças Armadas, incluindo um soldado com um lançador de míssil apontado para cima, Padrino advertiu que os Estados Unidos querem roubar as reservas de petróleo da Venezuela.

Fonte: oglobo.globo.com