Publicado em 2/10/2017 as 2:30pm

Facebook: Casa Branca quer informações sobre opositores a Trump

O pedido inclui informações sobre 6 mil indivíduos que deram “like” numa página do Facebook que é contra Trump.

A administração atual tenta obter os dados pessoais dos ativistas que são contra o Presidente

A administração Trump teria obtido uma ordem de busca que permitiria o acesso às páginas no Facebook de milhares de ativistas opositores ao Presidente. O pedido para que os dados sejam liberados inclui informações sobre 6 mil indivíduos que deram “like” numa página do Facebook que é contra Trump, segundo a agência de notícias CNN.

A American Civil Liberties Union (ACLU) está combatendo judicialmente a ordem de busca de informações sob a alegação de que ela não é relevante ao caso.

“O que é particularmente amedrontador sobre esses pedidos de busca é que os ativistas políticos que são contra a administração (atual) terão seus contatos políticos e pontos de vistas vasculhados justamente pela administração que eles estão protestando contra”, disse o advogado Scott Michelman, da ACLU.

Os pedidos para a liberação das informações seriam retroativos até 1 de novembro de 2016, uma semana antes das eleições presidenciais.

Um dos internautas que são alvos é o administrador da página “disruptj20”, na qual os protestos do dia de posse foram organizados, detalhou a CNN. A internauta, Emmelia Talarico, alegou através de uma ação judicial que, caso o governo obtenha as informações dela, ele teria acesso às “senhas, perguntas de segurança e respostas, informações de cartões de crédito”, além da “lista privada de convidados e participantes dos múltiplos eventos políticos patrocinados pela página”.

Busca na Internet:

Os internautas brasileiros, legais e indocumentados, que fazem das redes sociais a extensão da vida privada, deverão ter mais cautela com o que postam online. A partir de 18 de outubro, o Departamento de Segurança Nacional (DHS) estará expandindo os tipos de informações que coleta dos imigrantes e incluirá as redes sociais e as ferramentas de busca. A nova política, que também envolve portadores do green card e cidadãos naturalizados, entrará em vigor meados do mês que vem. A decisão da administração Trump foi publicada no Federal Register.

A nova política permitirá que o DHS recolha informações das contas dos imigrantes no Twitter, Instagram, Facebook, além de todas as ferramentas de busca (search). Não foi detalhado se o órgão federal terá acesso ao histórico de buscas no Google ou como essas informações serão obtidas. A mudança inclui 12 pontos de expansão os quais o DHS está autorizado a investigar, mas os pontos 5 e 11 parecem ser os mais alarmantes devido a habilidade de vasculhar a vida digital dos imigrantes nos EUA e todos aqueles que interagem com eles.

Vale tudo:

A informação postada no Federal Register cita que a parte nº 5 do US Customs and Border Protection – 001 Alien File, Index e o National File Tracking System of Records determina a “expansão das categorias de arquivos que incluem o seguinte: país de nacionalidade, país de residência, o número online cadastrado no USCIS (nº do green card), contas nas redes sociais, pseudônimos, informações associadas, sites de busca e dados de procedimentos do Departamento de Justiça (DOJ), Executive Office for Immigration Review e o Board of Immigration Appeals”.

Já a parte nº 11 determina a “atualização das categorias que determinam as fontes de informação para que sejam incluídas informações públicas disponíveis obtidas na internet, arquivos públicos, instituições públicas, entrevistados, provedores de informações comerciais e informações obtidas e divulgadas decorrentes de acordos de compartilhamento”.

O termo “acordos de compartilhamento” não está definido na diretriz, mas poderia englobar os tipos de acordos de vigilância que os EUA possuem com países como o Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, conhecido como “Five Eyes”, assim como o acordo de compartilhamento que o DHS possui com companhias como a Google e os provedores de serviços de internet.

Fonte: Brazilian Voice