Publicado em 27/11/2017 as 5:00pm

Irã acusa Washington de 'atrocidades' no Iêmen

Governo iraniano critica apoio americano à Arábia Saudita, que intervém militarmente no Iêmen. Bloqueio deixou o país três semanas sem ajuda humanitária.

Irã acusa Washington de 'atrocidades' no Iêmen Criança iemenita desnutrida recebia tratamento em hospital de Sanaa, na quarta-feira (22) (Foto Mohammed Huwais - AFP)

O Irã acusou neste domingo (26) os Estados Unidos de serem responsáveis por "atrocidades" no Iêmen, em razão de seu apoio à Arábia Saudita, que lidera uma coalizão militar contra os rebeldes iemenitas huthis.

Reagindo a uma declaração divulgada pela Casa Branca na sexta-feira (24), o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Bahram Ghassemi, afirmou que o texto "prova claramente e definitivamente o envolvimento e a responsabilidade dos Estados Unidos nas atrocidades cometidas pela Arábia Saudita no Iêmen".

A coalizão interveio no país em março de 2015 para impedir a progressão dos rebeldes iemenitas huthis diante das forças governamentais.

Em seu comunicado, a presidência americana assegura que os Estados Unidos continuam "determinados a apoiar a Arábia Saudita e todos os seus parceiros do Golfo contra a agressão e as violações flagrantes do direito internacional cometidas pela Guarda Revolucionária", a força de elite iraniana.

Rivais geopolíticos, a Arábia Saudita e o Irã romperam relações diplomáticas em janeiro de 2016. As tensões entre Riad e Teerã foram exacerbadas pelos conflitos na Síria, no Iraque e no Iêmen, onde apoiam lados opostos.

No início de novembro, a Arábia Saudita acusou o Irã de "agressão direta" contra seu território depois que os rebeldes huthis (xiitas) dispararam um míssil de longo alcance, que as autoridades sauditas afirmam ter neutralizado perto do aeroporto internacional de Riad.

"A República Islâmica do Irã não tem ligação militar alguma com o Iêmen", ressaltou Ghassemi, cujo país afirma apoiar politicamente os huthis e denuncia regularmente os "bombardeios contra civis" sauditas no Iêmen.

Acusando Washington de retransmitir alegações "totalmente infundadas" contra o Irã, Ghassemi lamentou que Washington "apoie abertamente as atrocidades cometidas" pela Arábia Saudita.

A guerra no Iêmen opõe os rebeldes huthis contra as forças governamentais, expulsas da capital Sanaa em setembro de 2014. Desde março de 2015, uma coalizão militar árabe liderada por Riad atua no país em apoio às forças governamentais.

De acordo com um relatório publicado este mês pelo Congressional Research Service, um centro de pesquisa responsável por informar as ações dos representantes eleitos do Congresso dos EUA, a Arábia Saudita assinou contratos para a compra de armas por um valor total superior a 65 bilhões de dólares dos Estados Unidos entre 2009 e 2016.

"Desde 2015, o exército saudita, treinado pelos Estados Unidos, recorreu, para as operações militares no Iêmen, às armas de origem americana, ao apoio logístico e inteligência dos Estados Unidos", acrescenta este relatório.

Ajuda humanitária

Pela 1ª vez em três semanas, em razão do bloqueio total imposto no início de novembro pela coalizão liderada pela Arábia Saudita, um avião carregado com ajuda humanitária do Unicef aterrissou neste sábado (25) em Sanaa, no Iêmen.

Em 8 de novembro, o chefe de ajuda das Nações Unidas tinha alertado que o país enfrenta uma fome em massa que poderia afetar milhões de vidas se a Arábia Saudita não colocasse fim ao bloqueio. O Iêmen enfrenta ainda epidemia de cólera.

Fonte: Por France Presse

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